Ascom/Dep. Angelo Almeida
Na manhã desta quarta-feira
(17), a Comissão Especial para Avaliação dos Impactos da Covid-19 da Assembleia
Legislativa da Bahia (ALBA) realizou a audiência pública sobre os impactos
socioeconômicos da doença, com participação da especialista Luciana Guerra
Gallo, mestre e doutora pelo programa de pós-graduação em Medicina Tropical da
Universidade de Brasília (UNB), na área de Epidemiologia e Controle de Doenças
Infecciosas e Parasitárias.
Ao iniciar sua apresentação,
com base na pesquisa de pós-doutorado que vem realizando no Hospital
Universitário de Brasília, a epidemiologista destacou que os impactos da doença
atingem de formas diferentes os pacientes de acordo com sexo, idade, raça e,
especialmente, estado socioeconômico. "É uma falácia que atinge todos
igualmente. Começou com aquela história de que estávamos na mesma tempestade.
Agora, já está muito claro que não estamos no mesmo barco. A gente, enquanto
país, não está no mesmo barco que diversos outros países. Inclusive, segundo a
Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é um dos cinco piores países para
se estar durante a pandemia", disse.
De acordo com Gallo, a grande
maioria dos óbitos são de negros, um índice de 60%, e de pessoas com baixa
escolaridade. "A gente vê que a grande maioria das internações ocorreu com
pessoas que têm ensino fundamental ou até ensino médio, não com nível superior.
Isso, então, já leva a gente a fazer uma relação direta com custos, porque as
pessoas sem escolaridade são pessoas que têm empregos mais instáveis, com menos
direitos. Com isso, o afastamento pela doença acaba causando um impacto no
orçamento familiar gigantesco", explicou.
Ainda segundo a
epidemiologista, além dos custos diretos da doença, relacionados a gastos com
medicamentos, consultas, exames, transporte e alimentação para as consultas,
tem também os custos indiretos, como a falta ou redução da produtividade, e os
custos intangíveis, que têm relação com a redução da qualidade de vida,
depressão, ansiedade, "o custo do sofrimento", que é incalculável.
"É preciso que o poder público reflita sobre como minimizar o custo, a
médio e longo prazo, que deve chegar a bilhões, para não dizer na casa dos
trilhões", alertou.
Durante a audiência, a
pesquisadora ainda destacou que ficou extremamente feliz com o acordo do
Governo da Bahia para compra da Sputinik V. "Quanto mais, melhor. Quanto
mais a gente conseguir vacinar e mais rápido a gente vacinar, mais rápido a
gente consegue sair desse buraco em que a gente está nesse momento. As vacinas
são amplamente conhecidas como uma das tecnologias que são mais custo-efetivas,
porque você gasta um valor e o que você ganha em troca é muito grande.
Financiar a vacina, comprar mais vacina, expandir as vacinas no país é, sem
dúvida nenhuma, uma estratégia excelente para reduzir os custos socioeconômicos
da Covid e voltar a nos encontrar nesse novo normal", afirmou. Gallo prevê
que, seguindo a velocidade da vacinação no país, toda a população só deve estar
vacinada em dois anos e meio.
O deputado estadual Angelo
Almeida, presidente da comissão da ALBA, ressaltou que, neste cenário, é
preciso mais do que nunca, discutir e lutar por medidas para reduzir a
desigualdade e amparar a população que está desassistida, principalmente sem o
auxílio emergencial. "Eu tenho muita preocupação com o nível de
irresponsabilidade para com a ciência, para com a boa prática e para com a
ética, que esse governo está apresentando ao longo do seu histórico. Lamento
que a gente esteja vivendo este momento, marcado pelo obscurantismo, pelo
negacionismo. Um momento muito triste para a vida da sociedade
brasileira", declarou o parlamentar.
Próximas
audiências
No dia 31 de março, às 10h, a
comissão realiza audiência pública sobre "Sequelas cardiovasculares devido
à infecção pela Covid-19". O assunto será abordado pelo médico
cardiologista André Almeida, mestre e doutor em Medicina Interna pela Escola
Bahiana de Medicina e Saúde Pública, pesquisador de pós-doutorado do
Departamento de Imagem Cardiovascular no Johns Hopkins Hospital em Baltimore -
Estados Unidos, membro titular da Academia de Medicina da Bahia e
vice-presidente do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade
Brasileira de Cardiologia.
Já em abril, no dia 28, às 10h,
a audiência pública tratará do assunto "A sobrevivência das atividades econômicas
no cenário da COVID-19". Para o debate, a comissão convidou o presidente
da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia
(Fecomércio-BA), Carlos Andrade.
Em maio, no dia 5, às 10h, a
discussão será sobre o "Aumento do lixo durante a pandemia: impactos e
possibilidades de uma vida sustentável", com a consultora em
sustentabilidade, Jurema Cintra, advogada e ativista de direitos humanos.
Todos os eventos serão
virtuais, transmitidos por meio da plataforma Zoom e da TV ALBA. Para receber o
link e participar do debate, as inscrições devem ser feitas pelo WhatsApp 71
99718-2427, enviando nome, cidade, profissão e instituição que representa.
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