Fonte:
Alex Rodrigues/Agência Brasil
Foto:
Rovena Rosa/ Agência Brasil
O
início da campanha de vacinação contra a covid-19 levou esperança a milhões de
brasileiros que esperam pelo momento em que poderão retomar uma rotina mais
próxima à qual estavam habituados até o início da pandemia. Mesmo que
lentamente, a imunização está avançando entre profissionais da saúde e pessoas
dos grupos de risco.![]()
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O
entusiasmo, no entanto, não deve levar ninguém a abrir mão de cuidados
pessoais, sob risco não só de adoecer em um momento em que o sistema de saúde
continua sob pressão, mas também de colocar em perigo a estratégia nacional de
imunização. Especialistas lembram que, além de nenhuma vacina ser 100% eficaz,
principalmente diante do risco de surgimento de novas variantes, o corpo humano
demora algum tempo para começar a produzir os anticorpos que protegerão o
organismo contra a ação do novo coronavírus.
Tempo médio
Segundo
a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), a pediatra
Isabella Ballalai, em média o tempo mínimo para que o sistema imune esteja apto
a responder adequadamente contra a presença de qualquer agente patogênico
causador de doenças é de, no mínimo, 14 dias após receber a primeira dose de
uma vacina. Mas cada imunizante tem seu próprio tempo médio para ativar o
sistema imunológico, conforme descrito por seus fabricantes.
Fiocruz
A
dose da AstraZeneca, por exemplo, é capaz de atingir uma eficácia geral de
proteção da ordem de 76% 22 dias após a aplicação da primeira dose. O
percentual pode superar os 82% após a pessoa receber a segunda dose,
segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável por produzir, no Brasil,
a vacina em parceria com a farmacêutica e a Universidade de Oxford.
Um estudo publicado na revista científica The Lancet,
no início do mês, sustenta que a maior taxa de eficácia é atingida quando
respeitado o intervalo de três meses entre a primeira e a segunda dose.
Butantan
O
Instituto Butantan, parceiro do laboratório chinês Sinovac no desenvolvimento
da CoronaVac, afirma que são necessárias, em geral, duas semanas após
a segunda dose para que a pessoa esteja protegida, já que esse é o
tempo que o sistema leva para criar anticorpos neutralizantes que barram a
entrada do vírus nas células. Ainda segundo o instituto, uma quantidade maior
de anticorpos pode ser registrada até um mês após o fim da vacinação, também
variando de indivíduo para indivíduo.
"É
importante esperar, porém, que grande parte da população tenha sido imunizada
antes de voltarmos aos antigos hábitos, para evitar contaminar outras pessoas,
já que o indivíduo que tomou a vacina ainda pode transmitir o vírus. Mesmo após
a imunização, ainda será preciso manter medidas de segurança, como o uso de
máscara e a higienização constante das mãos."
Cuidados
“Ao
tomar uma vacina, a pessoa tem que aguardar pela ação do seu próprio sistema
imunológico, que vai produzir os anticorpos que irão protegê-la”, reforça Isabella,
destacando a importância de, mesmo após tomar a segunda dose, a
pessoa continuar usando máscaras, evitando aglomerações, higienizando as mãos e
objetos e respeitando as recomendações das autoridades sanitárias.
“É muito importante que as pessoas entendam que será preciso continuar tomando
os mesmos cuidados por mais algum tempo. Este ano tende a ser melhor que 2020,
pois já temos mais conhecimento e algumas respostas à doença, mas,
infelizmente, 2021 será ainda de distanciamento e de uso de máscaras”,
acrescenta a vice-presidente da SBIm, acrescentando que, para diminuir a
transmissão da doença, será preciso vacinar, no mínimo, 60% da população
brasileira.
“Ainda
temos muitos desafios para controlar a doença. Há o risco do surgimento de
novas variantes – mesmo que a maioria das vacinas esteja demonstrando ser
eficaz também contra algumas das variantes já identificadas, em algum momento
isso pode não ocorrer. Logo, ainda não é hora de relaxar. Ainda não é hora de
retirarmos as máscaras e desrespeitar o distanciamento social”, alerta
Isabella.
Os
detalhes para a implementação do toque de recolher, para evitar a propagação da
Covid-19 na Bahia, foram discutidos, por meio de videoconferência realizada
nesta quarta-feira (17), pelo governador Rui Costa com o prefeito de Salvador,
Bruno Reis, e representantes das secretarias da Saúde estadual e municipal e da
Segurança Pública (SSP), além do procurador-geral do Estado, Paulo Moreno.
Entre
os pontos principais estão o horário de funcionamento dos estabelecimentos
comerciais e do transporte público. As atividades essenciais, como serviços de
saúde e farmácias, serão mantidas, inclusive com entrega de medicamentos por
meio de motoboys. O decreto será publicado no Diário Oficial do Estado (DOE)
desta quinta-feira (18).
A
vigência do decreto é de sexta-feira (19) até 25 de fevereiro de 2021. Conforme
acordado durante a reunião, são exemplos de estabelecimentos comerciais que
deverão estar fechados e vazios às 22h: shoppings, bares e restaurantes, além
de postos de gasolina que vendem bebidas alcóolicas.
Rui
destacou que o decreto determina que os estabelecimentos devem ser esvaziados
até as 22h e não continuarem a funcionar com as portas fechadas. “O que
infelizmente, no ano passado, nós vimos em várias cidades onde nós fixamos o
horário de funcionamento é que, quando estourava o limite, o restaurante, bar
ou supermercado abaixava as portas, mas continuava funcionando lá dentro.
Então, este é o pior dos mundos porque, além de funcionar fora do horário, eles
ainda confinam o ambiente e aumentam a contaminação, já que fecham a porta e
deixam as pessoas lá dentro”.
Para
o governador, é necessária a colaboração de todos para as restrições não serem
ainda maiores nos próximos dias. “Para a gente não ser obrigado, de forma
compulsória, a voltar a fechar, em horário de maior movimento, é melhor que
todo mundo contribua fechando no horário de baixo movimento, para que não
sejamos obrigados a ampliar este horário, e o comprometimento da rentabilidade
do negócio vai piorar”. Os serviços de delivery também são proibidos para
bares, restaurantes e semelhantes, sendo permitidos apenas para farmácias.
Determinações
O
decreto determina que, para o cumprimento do estabelecido na publicação, a
Polícia Militar da Bahia (PMBA), em conjunto com Guardas Municipais, apoiará as
medidas necessárias nos municípios em que o toque de recolher estiver em vigor.
Segundo o secretário da Segurança Pública, Ricardo Mandarino, o Centro de
Comando e Controle da SSP irá funcionar 24 horas por dia, durante os dias de
vigência do toque de recolher, para monitorar e fiscalizar o cumprimento das
determinações.
De
acordo com o novo decreto, os estabelecimentos comerciais e de serviços deverão
encerrar as atividades até as 21h30, para garantir o deslocamento dos
funcionários e colaboradores às suas residências. A determinação não se aplica
ao funcionamento dos terminais rodoviários, metroviários e aeroviários ou ao
deslocamento de funcionários e colaboradores que atuem na operacionalização
dessas atividades fins.
Os
meios de transporte metropolitanos (ônibus, metrô, ferryboat e lanchinhas)
ficam autorizados até às 22h30, horário em que devem ser encerrados. Em
Salvador, os ônibus urbanos deverão obedecer decreto publicado pela Prefeitura.
Fica
expressamente vedado, entre as 22h e as 5h, o funcionamento de bares, restaurantes,
lojas de conveniência e demais estabelecimentos similares que comercializem
bebidas alcóolicas, inclusive na modalidade delivery. Não são alcançados pelo
decreto os serviços de limpeza pública e manutenção urbana; os serviços
delivery de farmácia e medicamentos; e as atividades profissionais de
transporte privado de passageiros.

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