Fonte: Heloisa Cristaldo/Agência Brasil
O
plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (26) auxílio
emergencial por três meses, no valor de R$ 600,00, destinados aos trabalhadores
autônomos, informais e sem renda fixa durante a crise provocada pela pandemia
de coronavírus. A matéria segue para análise do Senado.
Pelo
texto do relator, deputado Marcelo Aro (PP-MG), o auxílio pode chegar a R$
1.200 por família. O valor final, superior aos R$ 200 anunciados pelo Executivo
no início da crise em virtude da pandemia, foi possível após articulação de parlamentares com membros do governo
federal. O projeto prevê ainda que a mãe provedora de família “uniparental”
receba duas cotas.
Os trabalhadores deverão
cumprir alguns critérios, em conjunto, para ter direito ao auxílio:
- ser maior de 18 anos de idade;
- não ter emprego formal;
- não receber benefício previdenciário ou assistencial, seguro-desemprego ou de outro programa de transferência de renda federal que não seja o Bolsa Família;
- renda familiar mensal per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total (tudo o que a família recebe) de até três salários mínimos (R$ 3.135,00); e
- não ter recebido rendimentos tributáveis, no ano de 2018, acima de R$ 28.559,70.
- ser maior de 18 anos de idade;
- não ter emprego formal;
- não receber benefício previdenciário ou assistencial, seguro-desemprego ou de outro programa de transferência de renda federal que não seja o Bolsa Família;
- renda familiar mensal per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total (tudo o que a família recebe) de até três salários mínimos (R$ 3.135,00); e
- não ter recebido rendimentos tributáveis, no ano de 2018, acima de R$ 28.559,70.
Pelo
texto, o beneficiário deverá ainda cumprir uma dessas condições:
- exercer atividade na
condição de microempreendedor individual (MEI);
- ser contribuinte individual ou facultativo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS);
- ser trabalhador informal inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); ou
- ter cumprido o requisito de renda média até 20 de março de 2020.
- ser contribuinte individual ou facultativo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS);
- ser trabalhador informal inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); ou
- ter cumprido o requisito de renda média até 20 de março de 2020.
Pelas
regras, o trabalhador não pode ter vínculo formal, ou seja, não poderão receber
o benefício trabalhadores formalizados pela Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT) e servidores públicos.
Pela
proposta, também será permitido a duas pessoas de uma mesma família acumularem
benefícios: um do auxílio emergencial e um do Bolsa Família. Se o auxílio for
maior que a bolsa, a pessoa poderá fazer a opção pelo auxílio. O pagamento será
realizado por meio de bancos públicos federais via conta do tipo poupança
social digital. Essa conta pode ser a mesma já usada para pagar recursos de
programas sociais governamentais, como PIS/Pasep e Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS), mas não pode permitir a emissão de cartão físico ou cheques.
Impacto fiscal
No
início da tarde, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ),
defendeu o auxílio de R$ 500 durante o período de crise. Segundo ele, o valor
referente a meio salário-mínimo (atualmente em R$ 1.039) deveria ser pago por
três meses e teria um impacto fiscal estimado entre R$ 10 bilhões e R$ 12
bilhões. Com a mudança, a perspectiva fiscal é de um impacto de R$ 14 bilhões.
Maia argumentou que o valor pago aos profissionais informais deve ser mantido
caso ainda haja necessidade após os três meses previstos no texto.
“Não é
possível que a gente não possa garantir aos trabalhadores informais uma renda
por esse período de três meses e avaliando esse cenário a cada semana, porque
isso é um cenário de guerra. É importante que a gente possa aplicar os recursos
[públicos] também na sociedade brasileira”, disse o presidente da Câmara.
O
líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), destacou o apoio
de presidente Jair Bolsonaro para o auxílio de R$ 600.
"O presidente Bolsonaro, muito sensível a esses 25 milhões de
brasileiros que são os mais afetados, os mais sofridos, atento às
reivindicações dos líderes partidários, decidiu apoiar a medida de R$ 600. Isso
vai fazer com que as famílias que têm duas pessoas nessa condição tenham mais
do que 1 salário mínimo, serão R$ 1.200."
Para o
líder minoria, deputado José Guimarães (PT-CE), a medida é essencial em tempos
de crise. “Nós temos a compreensão de que, em um momento como esse, de grave
crise na economia real, que está impactando a saúde pública no Brasil, nós não
podemos ter restrições para gastar. Portanto, o gasto com a saúde tem que ser
ilimitado”, afirmou.
O
líder do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), afirmou que a proposta garante o
“mínimo de esperança” para trabalhadores informais, mas também serão
necessárias medidas para micro e pequenas empresas.
“São
os informais que hoje não estão trabalhando, não têm renda. Hoje não têm a
mínima esperança de chegar ao final do mês e ter o seu dinheiro para comprar as
necessidades mais básicas da sua família’, argumentou o parlamentar”, disse.
“Nós aguardamos agora crédito para as pequenas e médias empresas, porque nós
sabemos que também elas estão paradas e não têm como se sustentar. É preciso
que o governo olhe para as pequenas e médias empresas e possa liberar crédito
barato extraordinário para essa finalidade, e também a medida provisória para
garantir emprego e o seguro-desemprego para os trabalhadores”.
Hospitais
filantrópicos
O plenário também aprovou
nesta quinta a suspensão, por 120 dias, a contar de 1º de março, a
obrigatoriedade de hospitais filantrópicos de cumprirem metas quantitativas e
qualitativas contratadas junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em troca de
isenção de impostos, essas unidades de saúde precisam prestar serviços de saúde
como consultas, exames e procedimentos de média e alta complexidade (cirurgias,
por exemplo) ao SUS.
No entanto, por causa da crise
provocada pela pandemia de coronavírus, esses hospitais não conseguirão atingir
as metas de quantidade e qualidade para que as mantenedoras possam contar com a
isenção.
“[A medida] garante aos
prestadores de serviço do SUS, especialmente as santas casas, hospitais
universitários, a manutenção dos recursos que esses prestadores recebem
mensalmente e que, infelizmente, podem ser interrompidos neste momento da
pandemia do coronavírus”, disse o deputado Dr Luizinho (PP-RJ).
“Porque infelizmente, neste
momento, nós temos uma situação que suspende as cirurgias eletivas. A maioria
desses prestadores de serviço trabalham com as cirurgias eletivas, com
procedimentos ambulatoriais e certamente serão afetados. Por isso, a manutenção
por 120 dias é fundamental, a fim de que eles possam ter a manutenção das suas
atividades, da situação econômica dos seus empregos”, completou o parlamentar.
Adicional
de insalubridade
Outra proposta aprovada pelos
parlamentares garantiu um adicional de insalubridade para trabalhadores de
serviços essenciais ao combate a epidemias em casos de calamidade pública.
O texto prevê que
profissionais da área de saúde, segurança pública, vigilância sanitária, corpo
de bombeiros e limpeza urbana no combate de epidemias devem receber o pagamento
de adicional de insalubridade em grau máximo, o equivalente a 40% do salário mínimo
da região (R$ 418).


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