Fonte: Kelly Oliveira/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC)
estima que a economia deve ter apresentado crescimento no terceiro trimestre e
pode acelerar nos períodos seguintes.
É o que diz a
ata da última reunião do Copom, divulgada hoje (5), em Brasília. No último dia
30, o comitê reduziu a taxa
básica de juros, a Selic, para 5% ao ano, com corte de 0,5 ponto
percentual.
Para o Copom,
o ritmo de crescimento da economia, excluídos efeitos de estímulos temporários,
será gradual. “O comitê estima que o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter
apresentado crescimento no terceiro trimestre. Os trimestres seguintes devem
apresentar alguma aceleração, que deve ser reforçada pelos estímulos
decorrentes da liberação de recursos do FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço] e PIS-Pasep [Programa de Integração Social/Programa de Formação do
Patrimônio do Servidor Público] – com impacto mais concentrado no último
trimestre de 2019”, explicou a ata.
O resultado
do PIB do terceiro trimestre será divulgado no dia 3 de dezembro pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Reformas
Na ata, o
Copom destacou a “relevância da aprovação da reforma da Previdência pelo
Congresso Nacional”, mas reforçou a “importância da continuidade do processo de
reformas e ajustes que gerem sustentabilidade da trajetória fiscal”.
“Ao reduzirem
incertezas fundamentais sobre a economia brasileira, essas reformas tendem a
trabalhar no mesmo sentido da política monetária e,portanto, estimular o investimento privado. Esse potencial efeito expansionista
deve contrabalançar impactos de ajustes fiscais correntes sobre a atividade
econômica, além de mitigar [suavizar]os riscos de episódios de forte elevação
de prêmios de risco [retorno adicional cobrado por investidores para aceitar
correr maior grau de risco]”, disse.
“O Copom
reiterou o entendimento de que uma aceleração do ritmo de retomada da economia
para patamares mais robustos também dependerá de outras iniciativas e reformas
microeconômicas que visam ao aumento de produtividade, ganhos de eficiência,
maior flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de negócios”,
acrescentou.
Inflação
Para o Copom,
as projeções de inflação estão em “níveis confortáveis”. “As estimativas e
projeções de curto prazo indicam que a inflação acumulada em 12 meses ainda
deve ter recuado em outubro, para níveis ao redor das mínimas observadas
durante o regime de metas para a inflação, voltando a se elevar ao longo dos
últimos meses do ano”, projetou o Copom.
Essa
trajetória de curto prazo, acrescentou, reflete uma inflação abaixo do esperado
pelo Copom em setembro e revisão, também para baixo, da projeção referente ao
mês de outubro.
“Para o
último bimestre deste ano, foram revistas as projeções de alguns preços
administrados, que, por sua vez, compensaram aquelas surpresas
desinflacionárias, mantendo a projeção de inflação estável em relação à da
reunião anterior”, afirmou o Copom.
Próximos passos
Na ata, o
comitê sinalizou que deve voltar a cortar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual
em dezembro. “O Copom debateu, então, a conveniência de oferecer alguma
perspectiva sobre possíveis cenários para a política monetária. Decidiu
comunicar sua avaliação de que a consolidação do cenário benigno para a
inflação prospectiva deverá permitir um ajuste adicional, de igual magnitude,
no grau de estímulo monetário”, afirmou a ata.
Sobre novos
ajustes, a partir de 2020, “os membros do Copom decidiram reforçar que o atual
estágio do ciclo econômico recomenda cautela em eventuais novos ajustes no grau
de estímulo.
“O Copom
julgou ser fundamental reiterar que a comunicação dessa avaliação não restringe
suas próximas decisões e enfatizar que os próximos passos da política monetária
continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos
e das projeções e expectativas de inflação”, finalizou.

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