quinta-feira, 4 de julho de 2019

Revalida 2017 tem a pior taxa de aproveitamento da história


Fonte: Ana Carolina Moreno/G1


A sétima e mais recente edição do Revalida registrou a pior taxa de aproveitamento dos candidatos: só cinco em cada 100 médicos interessados em atuar no país conseguiram as notas exigidas pelo exame em 2017.

Os dados, obtidos com exclusividade pelo G1, mostram que só exatos 5,27% dos 7.379 participantes foram aprovados. Um total de 963 médicos formados no exterior foram considerados aptos na primeira etapa do processo, e 941 fizeram as provas de habilidades clínicas da segunda etapa. Entretanto, apenas 389 passaram e conseguiram do governo federal a autorização para validar seus diplomas e exercerem a medicina no Brasil.

Em maio, o Ministério da Educação criou um grupo de trabalho com representantes da pasta, do Ministério da Saúde e membros de entidades nacionais da área médica para avaliar o programa.

Um dos representantes ouvidos pelo G1 afirmou que, até agora, duas reuniões presenciais foram realizadas e que uma minuta está em fase de elaboração para ser discutida em julho, em encontro ainda não agendado.

Segundo ele, a única definição é que o Revalida terá continuidade, mesmo que em moldes distintos do que foi concluído no mês passado.

Em crise desde 2017 

Criado em 2011 para centralizar o processo de validação de diplomas médicos emitidos por universidades estrangeiras, o Revalida entrou em 2017 em um período de crise que durou dois anos.
Com um aumento exponencial da demanda de participantes, o programa viu o número de candidatos que de fato eram aprovados cair quase na mesma proporção.

A evolução do Revalida

Veja o crescimento no número de médicos que fizeram a primeira fase do Revalida entre 2011 e 2017




Insatisfação


Entre 2011 e 2017, o Revalida conseguiu cumprir o cronograma estabelecido nos editais: primeiro, os participantes fazem uma primeira etapa com uma prova de 110 questões de múltipla escolha e cinco questões discursivas. Depois, os aprovados são submetidos a uma segunda etapa, com dez testes práticos de habilidades clínicas.

Em 2017, apesar de não ter mudado sua metodologia, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) se deparou com 1.337 ações judiciais de candidatos que tiveram a inscrição indeferida e ficaram sem autorização para participar do exame.
Em alguns casos, o problema era que o edital do Revalida só aceitava, entre a documentação exigida, o diploma emitido pelas instituições, com carimbos e certificações. Como o documento às vezes leva meses para ser emitido e ainda precisava ser enviado até o Brasil, muitos candidatos entraram na Justiça para tentar participar da prova apenas apresentando certificados de conclusão do curso ou protocolos.

Além disso, o Revalida é um exame que exige duas licitações de contratações: terminada a primeira etapa, com os resultados consolidados, é preciso fazer a contratação novamente da execução da segunda etapa, que inclui o uso de bonecos e até atores para encenar situações cotidianas da clínica médica, nas quais os candidatos deverão fazer exames e diagnósticos, sempre filmados em vídeo, para garantir que possam entrar com recurso em caso de reprovação.

Atrasos e problemas técnicos

A primeira etapa do Revalida 2017 aconteceu em setembro daquele ano, e a segunda etapa, inicialmente agendada para novembro, foi adiada para março de 2018, mas só aconteceu em novembro.

Porém, em fevereiro de 2019, o Inep só divulgou o resultado de parte dos candidatos. O motivo foi um problema técnico na aplicação do exame em Brasília — a gravação em vídeo das provas deles não foi realizada, e eles teriam que refazer a segunda etapa.

"Estamos totalmente perdidos", afirmou em fevereiro ao G1 uma candidata de Brasília que estava nessa situação. "Imagine a frustração, depois de quase um ano e meio de atraso, acontecer mais essa."

Ela também afirmou que teria que refazer duas das dez estações de habilidades práticas, mas que, por causa do problema, o sistema não mostrava seus resultados em relação às demais oito estações.

Mais de 900 médicos fizeram neste domingo a segunda etapa do exame Revalida.

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