Texto: Eduardo Piovesan/Câmara dos
Deputados
Foto: Luís Macedo
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (21), o
Projeto de Lei 5555/13, do deputado João Arruda (PMDB-PR), que modifica a Lei
Maria da Penha (Lei 11.340/06) para tipificar nova forma de violência doméstica e
familiar contra a mulher. A matéria será enviada ao Senado.
Segundo o texto aprovado - um
substitutivo apresentado pela deputada Laura Carneiro (PMDB-RJ), elaborado em
conjunto com a relatora anterior da Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania, deputada Tia Eron (PRB-BA), - essa nova forma de violência é a divulgação
pela internet, ou em outro meio de propagação, de informações, imagens, dados,
vídeos, áudios, montagens ou fotocomposições da mulher sem o seu expresso
consentimento.
Esse material precisa ser obtido
no âmbito das relações domésticas, de coabitação ou hospitalidade.
Para o autor do projeto, a Câmara
está ajudando a fazer justiça com as mulheres que são violentadas com a
divulgação de imagens de sua intimidade. “Essa é uma agressão às vezes até
maior que uma agressão física”, disse.
Atualmente, o Código Penal já tem
uma tipificação (Lei Carolina Dieckmann) para o crime de invasão de dispositivo
informático, com pena de reclusão de seis meses a 2 anos e aumento de um a dois
terços quando houver a divulgação a terceiros do conteúdo obtido.
Exposição pública
O substitutivo aprovado cria o crime de exposição pública da
intimidade sexual, conceituado como a ofensa à dignidade ou ao decoro de
outrem, divulgando por meio de imagem, vídeo ou qualquer outro meio, material
que contenha cena de nudez ou de ato sexual de caráter privado.
A pena será de reclusão de 3
meses a 1 ano, com aumento de um terço à metade se o crime for cometido por
motivo torpe ou contra pessoa com deficiência.
Segundo Tia Eron, “quase 65% das
mulheres se permitiram ser filmadas na sua intimidade e muitas tiveram essas
imagens divulgadas”.
Já para a deputada Laura
Carneiro, o projeto “é a redenção de mulheres e homens na internet e mostra
como é fácil produzir uma legislação decente que ajuda as pessoas”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário