Texto: estadao.com.br
É moda nas academias. Usar suplementos
termogênicos aliados à malhação para emagrecer. E por quê? Porque eles
aumentam a temperatura corporal facilitando assim a liberação de calorias e a
mobilização de gordura corporal para o fornecimento de energia. As substâncias
consideradas termogênicas são cafeína, efedrina, anfetamina, sinefrina,
dinitrofenol, L-carnitina, entre outras.
Os termogênicos, explica Alessandra
Imaizumi, Especialista em Fisiologia do Exercício pela Universidade Federal de
São Paulo, são vendidos manipulados ou como produtos industrializados, isolados
ou normalmente combinados. "A maioria dos suplementos termogênicos
disponíveis no mercado são à base de cafeína e, dependendo da marca,
também podem ser acrescidos de vitaminas, minerais, ômegas 3, corantes e algum
carboidrato (como dextrose, amido, sucralose), normalmente com zero calorias ou
baixo valor calórico", conta a especialista.
A grande problemática atual,
aponta Alessandra, é que alguns suplementos, entre eles os termogênicos
conhecidos comercialmente como Lipo 6 Black e Oxyelite Pro, assim como em
outros tipos de suplementos para ganho de massa muscular e aumento de
rendimento em treinos como o Jack3D e Versa1, respectivamente dos fabricantes
Nutrex e USP Labs, tiveram seu consumo proibido por conter ingredientes que que
não se enquadram como suplemento alimentar, e podem trazer prejuízos a saúde
que vão desde danos ao fígado, rins, alterações metabólicas e cardiovasculares,
AVC e morte, segundo posicionamentos oficiais da FDA (Food and Drug
Administration), ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e CDC (Centers
for Disease Control and Prevention).
"Entre esses
ingrediente proibidos estão hormônios e principalmente o DMAA
(dimethylamylamine), um estimulante do sistema nervoso central, utilizado
normalmente para aumentar rendimento, emagrecimento e também como droga de
abuso. No entanto, é proibido o consumo dessa substância no Brasil e seu
uso por atletas é considerado doping pela WADA, a Agência Mundial Antidoping,
pois pela função terapêutica, só podem ser consumidos com acompanhamento
médico", explica a nutricionista, especialista do Studio More Health
e Consultório de Nutrição Esportiva Alessandra Imaizumi.
"Infelizmente, o
comércio irregular desses produtos infringe os critérios de segurança
sanitária, coloca em risco a saúde das pessoas e alimenta a prática da auto
suplementação, que é muito comum, mas inadequada", adverte
Alessandra.
Ela lembra ainda que o
uso de suplementos termogênicos, assim como o de qualquer outro, deve ser
avaliado com muito critério por um profissional especializado, enfatizando que
o objetivo é sempre complementar uma base estrutural de alimentação e exercício
já existente. "Uma vez detectada a necessidade e prescrito com base em
dosagem, composição, tempo de uso, objetivos, público alvo, associação ao
treino e ao planejamento alimentar com balanço energético adequados, o consumo
pode ser benéfico sem riscos à saúde", completa a especialista do Studio
More Health.
A Especialista em Obesidade
e Emagrecimento e mestre em Ciências pela UNIFESP, Tatiana Eto, explica
que a única substância com liberação pela ANVISA é a cafeína (para
atletas e não para praticantes de atividade física, apenas). As outras
substâncias são proibidas.
Acredita-se que os
termogênicos tenham ação no sistema nervoso central e periférico. Alguns
estudos sugerem que eles podem aumentar o tempo de duração da atividade física
até a exaustão e podem melhorar a função neuromuscular, levando a uma
resistência ao processo de fadiga muscular. Isso favorece o desempenho do
atleta", explica Tatiana. Por outro lado, ressalta Tatiana, alguns efeitos
indesejáveis à saúde podem aparecer como o aumento da frequênciacardíaca com
maior possibilidade de risco cardiovascular, dependência,insônia, ansiedade, falta
de atenção e aumento da produção de ácido clorídrico no
estômago.

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