Texto: Darlan Alvarenga/G1
Seis anos após as primeiras extrações das reservas
gigantes do pré-sal e quase 8 anos após a anunciada mas já perdida
autossuficiência na produção de petróleo, a Petrobras tem sido vista com
desconfiança pelo mercado, por conta da produção estagnada, das importações em
alta e das dívidas bilionárias – e que tendem a continuar crescendo.
Desde o fim de 2010, logo após a megacapitalização de R$
120 bilhões, o endividamento da gigante brasileira de petróleo praticamente
quadruplicou, com um aumento médio de mais de R$ 40 bilhões por ano. A produção
de óleo e gás, por sua vez, caiu 2,5% em 2013, para 1,93 milhão de barris por
dia em 2013. Foi a segunda queda anual consecutiva e o menor resultado desde
2008.
No terceiro trimestre do ano passado, a companhia teve
lucro de R$ 3,395 bilhões, uma queda de 45% em relação ao trimestre anterior.
Já as dívidas chegaram a R$ 193 bilhões, o que fez com que agências de risco
reduzissem a nota da empresa, que passou também a receber da Bloomberg o título
de “petroleira de capital aberto mais endividada do mundo”.
Parte dessa dívida tem origem no descompasso entre o
crescimento da produção da Petrobras e do consumo de combustíveis no Brasil,
que fará com que os gastos com importações de gasolina e diesel da estatal
saltem 140% até 2020, passando dos US$ 12,68 bilhões de 2013 para um gasto
anual de US$ 30,42 bilhões, segundo cálculo do Centro Brasileiro de
Infraestrutura (CBIE), feito a pedido do G1.
Outro lado da conta das perdas, segundo analistas, é a
falta de reajustes maiores nos preços dos combustíveis e a interferência do
governo, que não abre mão de ter a Petrobras como arma contra a inflação. O
CBIE estima que a companhia deixou de ganhar cerca de R$ 47 bilhões nos últimos
3 anos em função da defasagem dos preços da gasolina e do diesel vendidos pela
no Brasil em relação aos valores internacionais.
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