Foto: O Globo
Texto:Fábio Grellet/estadao.com.br
Um protesto organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento
da tarifa de ônibus municipal terminou em confronto entre policiais militares e
ativistas na estação Central do Brasil, no centro do Rio, na noite desta
quinta-feira, 6. Sete pessoas ficaram feridas, entre elas um cinegrafista da
Band, internado em estado grave. Foram detidas 28 pessoas e encaminhadas à 19.ª
Delegacia de Polícia (Tijuca), na zona norte.
O cinegrafista Santiago
Andrade estava a poucos metros da estação quando foi ferido na cabeça por uma
bomba. Não se sabe se foi um artefato de fabricação caseira, lançado por
manifestantes, ou uma bomba de gás da PM. Segundo a Band, ele perdeu muito
sangue e desmaiou.
Socorrido por policiais
e levado ao Hospital Souza Aguiar, passou por uma tomografia, que constatou
afundamento de crânio. Ele foi submetido a uma cirurgia na madrugada desta
sexta. Os demais feridos foram levados para hospitais municipais.
Segundo as últimas
informações, Andrade permanece em estado muito grave.
A Associação Brasileira
de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nota de repúdio à agressão
sofrida pelo cinegrafista. Ele é o terceiro jornalista ferido em manifestações
este ano. Além dele, Sebastião Moreira, da Agência EFE, foi agredido por PMs e
Paulo Alexandre, freelancer, apanhou de guardas civis metropolitanos durante
protesto em 25 de janeiro, em São Paulo, ressalta a Abraji.
A Abraji repudia ataques
como esses a jornalistas. Em 2013, 114 profissionais foram feridos em todo o
País durante a cobertura de protestos. É preocupante que 2014 comece com três
casos de violência contra jornalistas. Se faz necessária uma apuração célere do
ocorrido para que procedimentos sejam revistos e para que o Estado proteja a
liberdade de expressão, a liberdade de informação e o jornalista".
Manifestação
O ato começou ao redor
da Igreja da Candelária, por volta das 17h30. Uma hora depois, cerca de 400
manifestantes saíram em passeata pela Avenida Presidente Vargas rumo à Central
do Brasil. No caminho, aos gritos de “não vai ter Copa”, dezenas de ativistas
mascarados promoveram momentos de correria e tentaram agredir outro
cinegrafista, acusado de ser PM.
Quando chegaram à
Central do Brasil, os manifestantes subiram nas roletas e incentivaram os
passageiros a passar por elas sem pagar. Até então, os PMs que acompanhavam a
manifestação não interferiram.
Nas duas manifestações
mais recentes convocadas também contra o aumento das passagens (que vão de R$
2,75 para R$ 3 amanhã), os ativistas haviam agido da mesma forma. No entanto, nada
foi quebrado nem houve confrontos entre policiais e ativistas. Ontem, porém, um
grupo arrancou uma roleta enquanto outro quebrava vidros de uma loja do saguão.
Nesse momento, os
policiais militares avançaram sobre os manifestantes, usando cassetetes. A
maioria dos ativistas pulou as catracas novamente e fugiu para a rua. Em
seguida, um grupo tentou voltar ao saguão, e a polícia lançou bombas de gás
lacrimogêneo. Embora o pé direito do prédio seja alto, o gás se espalhou
rapidamente e centenas de passageiros e ativistas correram para a rua.
Os confrontos se
espalharam pelas imediações do prédio da Central do Brasil, onde também
funciona a Secretaria Estadual de Segurança, e só foram controlados cerca de
uma hora depois. O comércio fechou e a Avenida Presidente Vargas ficou
interditada no sentido zona norte. Passageiros procuravam abrigo, tossindo após
inalar o gás. Ao longo da avenida, pelo menos cinco pontos de ônibus foram
destruídos e dezenas de sacos de lixo, incendiados.


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