De janeiro a agosto de 2013, as operadoras de planos de
saúde e odontológicos do Brasil receberam R$ 243.356.843,27 em multas, segundo
a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O valor
representa 4,8 vezes as multas aplicadas em todo o ano de 2009, que somaram R$
50.798.090,27.
Os dados da ANS mostram, no entanto, que apenas uma
pequena parcela dessas multas foi paga. Em 2009 – quando a ANS alterou as
regras para
portabilidade dos planos de saúde –, os pagamentos somaram 15,2% do total; em
2013, esse percentual subiu para 20,7% das multas aplicadas.
De acordo com a ANS, em 2009 foram aplicadas 415 multas
contra as operadoras e, neste ano, já são 2.035 – os dados de 2013 foram
apurados até o dia 28 de agosto. A falta de cobertura continua sendo o
principal motivador das sanções às operadoras de planos de saúde: representava
25,67% do total de multas em 2009 e, neste ano, 53,35%.
A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde),
que representa parte das operadoras, disse que “o número de reclamações [que
geraram multa] é irrisório em comparação ao conjunto de segurados, ou
aproximadamente 0,003%”. Entre dezembro de 2009 e junho de 2013 – dado mais
recente da ANS – o número de usuários de planos de saúde e odontológicos passou
de 55.821.632 para 68.371.729 – alta de 22,48%.
Mais reclamações
De acordo com a FenaSaúde, o aumento das multas está relacionado com a “ampliação de canais de atendimento” às queixas dos clientes dos planos.
Já o o diretor-presidente da ANS, André Longo, avalia que
o aumento no número de multas contra operadoras é resultado de clientes mais
bem informados sobre seus direitos, maior procura pelos canais de reclamação,
além de um maior rigor da ANS nas fiscalizações.
Ele citou a resolução da agência, de dezembro de 2011,
que fixou tempo máximo para marcação de exames, consultas e cirurgias e
determina a suspensão da venda de planos das operadoras que atingiram, por dois
trimestres consecutivos, um índice de reclamação por descumprimento desses
prazos superior a 75% da mediana do setor apurada pela ANS. A punição dura três
meses, até que um novo relatório seja divulgado.
Para verificar o cumprimento da resolução, a ANS vem
monitorando os planos de saúde por meio de reclamações feitas em seus canais de
relacionamento. E, a cada três meses, publica um relatório.
No último relatório, de agosto, foram suspensas as
vendas de 212 planos de saúde, administrados por 21 operadoras. Na época, o
ministro Alexandre Padilha disse que, até o momento, 618 planos de saúde, de 73
operadoras, já haviam sido punidos com suspensão de venda.
“Estamos apostando que a suspensão possa ser indutora
das mudanças no sentido de melhorar o atendimento ao consumidor. Ela deve
resultar na diminuição da necessidade de multa”, disse Longo. De acordo com
ele, hoje 81% das reclamações que chegam à ANS são resolvidas sem a necessidade
da punição.
As multas
Segundo Longo, da ANS, o baixo retorno das multas é um problema enfrentado por todas as agências reguladoras. As operadoras movem ações na Justiça contra essas decisões e, muitas vezes, conseguem adiar o pagamento.
Já a FenaSaúde diz que as suas associadas “respeitam os
prazos e normas em vigor.” A entidade representa 31 operadoras de 17 grupos,
responsáveis por mais de um terço dos usuários de planos do país.
Longo informou que a ANS está desenvolvendo um novo
modelo para aplicação de multas que, espera ele, reduza o trabalho dedicado
pela agência a esses processos e eleve os valores recolhidos.
Pelo novo modelo, que ainda não tem data para começar a
funcionar, as multas deixariam de ser individuais (para cada processo) e
passariam a ser coletivas (em que a empresa é penalizada por um conjunto de
infrações que cometer num determinado período, que pode ser semestral).
Hoje, o valor das multas na ANS varia de R$ 30 mil a R$
1 milhão mas, com o novo sistema, esse valor poderá ser superado.
“[Com o novo modelo de aplicação de multas] os processos
vão tramitar com mais facilidade. Poderemos – técnicos e advogados do governo –
focar num número menor de processos, por isso haverá mais chance de
conseguirmos receber as multas”, defendeu ele.
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