Fonte: SECOM/PMFS
Foto: Wevilly Monteiro - SECOM/PMFS
O Dia Internacional da Mulher, neste
dramático ano de 2021, se reveste de uma característica especial: torna ainda
mais evidente, e necessário, em todo o mundo, o protagonismo da mulher na
sociedade, por causa de sua presença amplamente majoritária na linha de frente
do combate à pandemia da Covid 19.
Aqui em Feira de Santana, essa heróica batalha contra o
coronavírus tem sido travada, na rede municipal de saúde, por 1.815
profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos em
laboratório e assistentes administrativos que recepcionam, orientam e conduzem
pacientes em busca de atendimento. Deste universo de guerreiros, 1.418, ou 78%,
são mulheres. E todos estão sob a coordenação de uma mulher: a médica
infectologista Melissa Falcão, chefe do Comitê de Controle do Coronavírus no
município.
“A mulher está sendo muito importante neste momento. Nós temos
um olhar diferenciado sobre o paciente, porque muitas de nós somos mães. E a
afetividade tem sido fundamental no tratamento dos pacientes, e também na
condução dos trabalhos em geral nessa guerra contra a Covid 19. É este o grande
diferencial da mulher”, diz Melissa, que sempre está ao lado de Colbert Martins
Filho, em muitas das lives que o prefeito tem feito na internet para falar
sobre as providências que o governo vem adotando contra a pandemia.
A afetividade a que Melissa Falcão se
refere também é salientada pela médica Pollyana de Santana Silva. Chefe da Sala
Vermelha da UPA do bairro Queimadinha, e atendendo também como socorrista do
SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, em Feira de Santana, Serrinha
e Alagoinhas, Pollyana diz que pelo menos a metade dos seus pacientes é de
pessoas contaminadas pelo coronavírus. “Estamos sempre nos colocando no lugar
do paciente e dos seus familiares, para entender o seu sofrimento, e ao mesmo
tempo tendo que nos cuidar, para não sermos contaminados e levarmos a doença
para nossa casa”, diz Pollyana, que em janeiro perdeu sua própria avó, de 83
anos, para a Covid.
Segundo Pollyana, a afetividade tem sido fundamental na
recuperação dos pacientes: “Eles ficam isolados, sem receber a visita de
parentes e amigos, os contatos tem sido apenas por chamadas de vídeo, e não é
todos os dias. O único carinho e apoio moral que recebem é das profissionais de
saúde, da médica, da enfermeira, que sentam no seu leito para conversar, para
tranquilizá-los e encorajá-los. Isso exerce um efeito psicológico muito
positivo, muitas vezes decisivo, na sua recuperação. E só quem faz isso é uma
mulher”.
Outra mulher que está na linha de frente na guerra contra a
Covid é a motorista Patrícia Oliveira, condutora de ambulância do SAMU. “Tem
dias que 90 por cento do nosso atendimento é de pacientes com Covid, e muitas
vezes não achamos leito de imediato para os levarmos, nos hospitais da cidade.
Então, temos que ficar algumas horas com ele dentro da ambulância, e é aí que
temos que ter coragem, já que ficamos expostos à doença, mas também muita
paciência, e principalmente amor e respeito pela vida das pessoas”, diz
Patrícia, que não apenas dirige a ambulância, mas também auxilia os médicos e
enfermeiros em tudo o que é possível e necessário no socorro ao paciente.
HEROÍNA E VÍTIMA
Ao mesmo tempo que a mulher tem o protagonismo ressaltado nesse
período dramático de nossas vidas, muitas delas tem também sido vítimas de um
efeito colateral dessa pandemia: o aumento na violência doméstica, praticada
por companheiros ou ex-companheiros. No Centro de Referência Maria Quitéria,
que atende mulheres vítimas desse tipo de violência, houve um aumento de cerca
de 40 por cento na procura pelo serviço, que faz parte da Rede de Proteção às
Mulheres de Feira de Santana.
Segundo a coordenadora do CRMQ, Josailma
Ferreira, o aumento do desemprego e o confinamento a que muitas famílias foram
obrigadas a se submeter, principalmente nas classes menos favorecidas
economicamente, exacerbaram a agressividade e o consumo de álcool por parte de
muitos homens, que descarregam todo o seu rancor contra a companheira e até os
filhos menores, especialmente as meninas, muitas delas vítimas de assédio ou
violência sexual.
E até o auxílio-emergencial fornecido pelo governo para as
famílias carentes foi, paradoxalmente, causa de violência doméstica, pois
muitos ex-companheiros retornaram para casa a fim de controlar o benefício
recebido pela mulher, o que resultou em violência patrimonial, psicológica e
também física contra a beneficiária.
“Aqui as vítimas dessa violência têm toda a acolhida que
precisam e que merecem, recebendo apoio e orientação de nossas profissionais
(advogadas, psicólogas, assistentes sociais e pedagogas), todas elas mulheres.
Por que o nosso grande diferencial, nesse atendimento, é a nossa capacidade de
empatia: por sermos mulheres, entendemos o que as mulheres pensam e sentem, e
sabemos compreender e compartilhar todo o seu sofrimento”, diz Josailma.



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