Fonte: Pedro
Peduzzi/Agência Brasil
Foto:
José Medeiros/SUDECO
Responsável por produzir uma
quantidade de alimentos que atende a 800 milhões de pessoas em todo o mundo, o
Brasil deve continuar ampliando sua contribuição para o abastecimento
mundial a ponto de se tornar, nos próximos cinco anos, o maior exportador
de grãos do planeta, superando os Estados Unidos. A informação está
em levantamento feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa),![]()
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De acordo com a Embrapa, em
apenas dez anos a participação do Brasil no mercado mundial de alimentos saltou
de US$ 20,6 bilhões para US$ 100 bilhões, tendo como destaque carne, soja,
milho, algodão e produtos florestais.
“Olhando os dados dos últimos
20 anos (2000 a 2020), a produção brasileira de grãos cresceu 210%, enquanto a
mundial aumentou 60%, O Brasil é o quarto produtor mundial, mas o segundo
exportador de grãos, basicamente de soja e milho”, disse à Agência Brasil o
pesquisador Científico e Gerente de Inteligência da Secretaria de Inteligência
e Relações Estratégicas da Embrapa, Elisio Contini.
O maior exportador de grãos em
2020 foram os Estados Unidos com 138 milhões de toneladas. O Brasil está em
segundo lugar com 122 milhões de toneladas. “Nos próximos 5 anos o Brasil
deverá superar os Estados Unidos em exportação. Com base neste histórico e com
os elevados preços internacionais dos produtos, a produção do Brasil deverá
atingir a 3% de crescimento mundial”, disse.
“E até 2050 a produção
brasileira de grãos poderá superar os 500 milhões de toneladas, sendo ainda
mais importante para a segurança alimentar do mundo”, acrescentou.
A afirmação tem por base o
estudo “O Agro brasileiro alimenta 800 milhões de pessoas”,
divulgado recentemente pela Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas
da Embrapa, tendo como autores Elisio Contini e Adalberto Aragão.
Contini lembra que a
contribuição brasileira para a alimentação das pessoas é expressa de forma
direta e indireta, uma vez que parte da produção de soja e milho tem como
destino a alimentação de gado e, consequentemente, a produção de carnes e
leite.
“A produção de grãos, de 2011
a 2020, cresceu no Brasil 5,33% ao ano, enquanto a do mundo em 2,03% ao
ano. Isto significa que o Brasil cresceu mais do que o dobro do mundo”,
disse.
Dessa forma, acrescenta o
pesquisador, o Brasil tem uma “janela de oportunidades de negócios” por, pelo
menos, 20 anos, que deve ser aproveitada. “Afinal, estamos nos tornando uma
economia de recursos naturais”.
A situação privilegiada do
país se deve, entre outros fatores, à grande quantidade de terras aráveis que
se encontram no país. “Parte dos 160 milhões de hectares de pastagens pode ser
convertida para a produção de grãos, tem regime de chuvas regulares como nos
cerrados, líderes mundiais em tecnologia tropical e agricultores competentes”,
argumentou, ao lembrar que as terras disponíveis para agricultura em outros
países, como os Estados Unidos, estão praticamente esgotadas.
Além disso, acrescenta ele, já
há algumas tecnologias com potencial de aumentar ainda mais a produção
nacional, como sementes melhoradas, insumos eficientes, maquinaria da melhor
qualidade no mundo e sistemas de produção eficientes como o plantio direto,
integração lavoura-pecuária.
“Falta-nos melhoria na
infra-estrutura e marketing dos nossos produtos. A solução para a questão
ambiental é vital para as nossas exportações”, complementa.

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