Fonte: Jonas
Valente/Agência Brasil
Foto: Valter
Campanato/ Agência Brasil
Depois de mais de um ano de
intensos debates, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) definiu as
regras do leilão para a oferta de banda larga móvel na tecnologia 5G. Uma delas
implicará que mais de 9 milhões de pessoas arquem com a compra de novos
equipamentos de TV por parabólicas.![]()
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Em razão de interferências
no serviço de transmissão para parabólicas (TVRO) por redes de 5G em uma das
faixas (3,5 GHz), a Anatel decidiu que esse serviço audiovisual não poderá mais
ser prestado como é hoje.
Outra opção discutida era a
possibilidade de instalar filtros nas antenas para tentar mitigar a
interferência. Essa solução acabou não sendo acolhida pela maioria dos
integrantes do conselho da agência.
“Fizemos testes com 5G, um
serviço adjacente do TVRO [transmissão por parabólicas], que usam entre 3,7 e
4,2 GHz. Constatou-se interferência do 5G no serviço de TVRO. O 5G respeita
seus limites de transmissão, mesmo assim os receptores das parabólicas são
muito ruins”, explica o superintendente de Outorgas e Recursos à Prestação da
Anatel, Vinícius Karam.
Com isso, as transmissões deverão
migrar para outra faixa, denominada banda KU. As faixas são as “avenidas no
céu” por onde passam os sinais de radiodifusão, como TV, rádio, satélite e
telefonia celular.
Hoje, a Anatel estima 20,7
milhões de lares que têm TV por parabólica, sendo 17 milhões de parabólica por
sinal aberto (o restante tem TV por assinatura).
Desses, 8,3 milhões estão no
cadastro único e terão a migração custeada a partir dos recursos
arrecadados com o leilão. Outros 9,2 milhões terão de trocar os
equipamentos com seus recursos. A previsão da Anatel é que o kit instalado
custe R$ 250.
A distribuição dos kits será
feita por uma entidade a ser criada com essa finalidade. O custeio inclui
também a instalação dos novos equipamentos. O procedimento foi semelhante
quando do leilão da faixa de 700 MHz para o 4G, que desalojou parte das
emissoras.
“A entidade vai ser
constituída, terá plano de comunicação. Todos serão informados para
retirar o seu kit ou solicitar instalação de novo kit. Uma preservação
para todos que assistem ao TVRO, só que distribuído gratuitamente para cadastro
único e sendo informado”, acrescenta Karam.
Até 2025, haverá uma
transmissão concomitante tanto na faixa atual (banda C) quanto na nov (KU).
Neste ano, será feito o desligamento, e só poderão continuar assistindo à TV
por parabólica quem tiver adquirido os novos aparelhos.
Empresas
Para o diretor-geral da
Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel), Samir Nobre, a solução de
migração para uma nova faixa do serviço de TV aberta por parabólicas adotada
pela Anatel foi acertada.
“Foi a única alternativa que
concilia os fatores técnicos, econômicos e de planejamento de espectro, além de
proteger a população socialmente carente que faz uso desse serviço
para ter acesso à televisão aberta, gratuita e de qualidade”, diz.

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