Fonte: Agência Brasil
Foto: Emma Farge/REUTERS
A nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, ex-ministra das Finanças do
país africano, foi nomeada hoje (15) para chefiar a Organização Mundial do
Comércio (OMC). Ela tornou-se a primeira mulher e africana a liderar a
organização.
“Os membros da OMC acabam de aceitar nomear Ngozi Okonjo-Iweala como próxima
diretora-geral da OMC. A decisão foi tomada por consenso durante uma reunião
especial do Conselho Geral realizada hoje”, indicou a organização poucos
minutos após o início do encontro.
Okonjo-Iweala assume suas funções no dia 1º de março e o seu
mandato, que pode ser renovado, expira em 31 de agosto de 2025.
Ela substituirá o diplomata brasileiro Roberto Azevêdo, que renunciou ao cargo em
setembro do ano passado. O posto de diretor-geral da OMC estava vago desde a
ocasião, porque a administração de Donald Trump apoiava a ministra do Comércio
da Coreia do Sul, Yoo Myung-hee, o que obstruía a indicação por consenso.
Dias após tomar posse, o presidente norte-americano Joe Biden mudou a
orientação do país e passou a apoiar a indicação da nigeriana. A candidata
sul-coreana desistiu da disputa no início de fevereiro, abrindo caminho para a
escolha de Okonjo-Iweala.![]()
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Desafios
Autodenominada
"realizadora" e conhecida por enfrentar problemas aparentemente
insolúveis, Okonjo-Iweala terá muito com que se ocupar na entidade comercial
mesmo sem Donald Trump, que ameaçou retirar os Estados Unidos da OMC.
Como
diretora-geral, uma posição que concede poder formal limitado, Okonjo-Iweala,
de 66 anos, precisará intermediar tratativas comerciais internacionais perante
um conflito persistente entre os Estados Unidos e a China, reagir à pressão
pela reforma das regras comerciais e se contrapor ao protecionismo acentuado
pela pandemia de covid-19.
No discurso
feito na OMC após a vitória, ela disse que fechar um acordo comercial na
próxima grande reunião ministerial será uma "das maiores
prioridades", e também exortou os membros a rejeitarem o nacionalismo da
vacina, de acordo com um delegado presente à reunião fechada, que foi realizada
virtualmente.
No mesmo
discurso, ela descreveu os desafios que a entidade enfrenta como
"numerosos e traiçoeiros, mas não insuperáveis".
O comissário
de Comércio da União Europeia, Valdis Dombrovskis, disse que espera trabalhar
estreitamente com ela para impulsionar uma "reforma muito necessária da
instituição".
Perfil
Veterana de
25 anos do Banco Mundial, onde supervisionou um portfólio de US$ 81 bilhões, Okonjo-Iweala
enfrentou sete outros candidatos defendendo a crença na capacidade do comércio
de tirar as pessoas da pobreza.
Ela estudou
economia do desenvolvimento em Harvard depois de testemunhar uma guerra civil
na Nigéria na adolescência. Em 2003, ela voltou ao país para servir como
ministra das Finanças, e apoiadores ressaltam sua postura rígida nas
negociações, que ajudou a selar um acordo de cancelamento de bilhões de dólares
de dívida nigeriana com as nações credoras do Clube de Paris em 2005.
* Com informações da RTP, NHK e Reuters

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