Fonte: Ascom/SEI
Foto: Manu Dias/Arquivo GOVBA
O cancelamento do carnaval de Salvador, devido à pandemia da Covid-19, vai evitar que 1,2 milhão de pessoas circulem nas ruas onde tradicionalmente acontecem os festejos, na capital baiana. A estimativa é da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento do Estado (Seplan). A SEI também estima que em torno de R$ 1,7 bilhão, advindo dos gastos dos foliões, deixarão de circular em Salvador.
Cerca de 60 mil trabalhadores ficarão
sem opção de desempenhar suas atividades e um montante de R$ 90 milhões de
rendimentos, fruto dos trabalhos realizados durante o período de Carnaval,
deixará de ser gerado. O desinvestimento público deve ser de R$ 133 milhões.
“O cancelamento do Carnaval foi uma
decisão acertada e pautada na necessidade de preservar vidas humanas, uma vez
que estamos enfrentando uma pandemia mundial de uma doença altamente
contagiosa. Portanto, não pouparemos esforços para vencer esta guerra e o
cancelamento do Carnaval vai ao encontro das diversas ações de combate ao
Coronavírus que o Estado da Bahia vem adotando desde o início da pandemia”,
destaca o secretário estadual do Planejamento, Walter Pinheiro.
Para estimar a provável participação
dos foliões locais no Carnaval 2021 foi usada a média de moradores da capital
que brincaram em eventos anteriores (17,7%). Essa proporção foi identificada em
pesquisas realizadas pela SEI/DIEESE/Secult. Considerando-se a população
estimada pelo IBGE para capital em 2020 (2,9 milhões de habitantes), a SEI
supõe que em torno de 528 mil foliões residentes estariam na festa em 2021.
Para aferir a participação dos turistas, caso houvesse o evento, a
superintendência replicou o cálculo da Setur para o ano de 2020, quando se
avaliou a presença de 636 mil turistas.
A SEI calculou que o cancelamento da
festa impõe a não circulação de, pelo menos, R$ 1,7 bilhão relativos ao gasto
dos foliões. Para alcançar este número foram considerados os gastos médios dos
foliões por categoria; residentes, turistas do interior, turistas de outros
estados, e turistas de outros países.
“Realmente, o Carnaval é uma festa
que traz um número expressivo de turistas para nosso estado, principalmente
para Salvador, que faz a maior festa de rua do mundo”, ressalta o secretário de
Turismo do Estado, Fausto Franco. No entanto, ele acrescenta que apesar do
impacto causado pelo cancelamento da festa, a necessidade de salvar vidas
humanas é imperiosa neste momento e lembra que mesmo não ocorrendo a folia
momesca, a Bahia tem lugares paradisíacos para serem visitados a qualquer época
do ano, que oferecem distanciamento social e turismo ao ar livre, junto à
natureza, sem contar o rico patrimônio histórico cultural para ser visitado.
Os dados da pesquisa Suplemento do
Carnaval de 2010, que adota a metodologia e a estrutura organizacional da
Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), a qual investiga os indivíduos que
responderam a condição de se trabalharam ou não no período da festa em
Salvador, indicam que na condição afirmativa estiveram 93 mil ocupados, ou 6,18%,
da força de trabalho municipal. A proporção daqueles que exerceram a atividade
exclusivamente em função do Carnaval corresponde a 60%.
Buscando definir um paralelo, a SEI
utilizou este percentual em relação ao mesmo recorte da população de Salvador para
o ano de 2020, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
(PNADC) do primeiro trimestre, quando se concluiu que 60 mil trabalhadores
ficarão sem opção de desempenhar suas atividades com a não realização do
Carnaval em 2021.
Atualizando o rendimento médio do
trabalho identificado na PED e aplicando as estimativas citadas, identifica-se
a não geração de um montante de R$ 90 milhões de rendimentos com o trabalho.
“Diferenciamos o que é trabalho realizado durante o carnaval e o que é trabalho
que só existe em função do carnaval”, explicou o diretor de estatística da SEI,
Armando de Castro.
Para efetivação do evento em 2020, a
despesa dos poderes estadual e municipal foi de R$ 133 milhões. O Governo do
Estado disponibilizou R$ 73 milhões distribuídos entre os municípios que fazem
o carnaval. Salvador absorve a maior parte deste recurso. Este valor é
desembolsado para realização de atividades setoriais (cultura, turismo, saúde,
segurança pública, transporte, direitos humanos, etc.). Segundo a SEI, a
Prefeitura Municipal de Salvador aportou R$ 60 milhões, dos quais R$ 20 milhões
originários dos cofres públicos e o restante advindo de patrocínio.
Ainda de acordo com a
superintendência, o verão sem festas públicas ou privadas deve impactar nos
indicadores de diversos setores no primeiro trimestre de 2021. A redução de
arrecadação de ICMS foi projetada em R$ 47,3 milhões nos setores de bebidas,
alimentação e alojamento. Também acarretará na queda de 18,2% na taxa de
ocupação dos hotéis em Salvador, no período, e redução de 7 mil postos de
trabalho diretos, além da queda em torno de 25% da receita nominal do conjunto
de atividades características do turismo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário