Fonte:
Mariana Tokarnia/Agência Brasil
Foto:
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Resolver questões de anos
anteriores, revisar conteúdos estudados durante o ano e relaxar um pouco são
algumas das dicas de professores entrevistados pela Agência Brasil para
os estudantes que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo
(24). No segundo dia de aplicação da versão impressa do exame, os candidatos
resolverão questões de matemática e de ciências da natureza. ![]()
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“Neste momento, quando se
fala em exatas, a grande dica é fazer as provas anteriores. Pegar as duas
últimas provas e ter calma”, diz o diretor-geral do Colégio e Curso Progressão
e professor de matemática, Leonardo Chucrute. “O Enem não quer colocar pegadinha
para o candidato. O que ele está cobrando é aquilo mesmo. Acredite no que a
prova está pedindo, é aquilo mesmo, é o que você sabe fazer. O que falo para o
candidato é, mantenha a calma, você está preparado, você estudou, acredite em
você”.
Segundo Chucrute, com base
na prova do último domingo (17), primeiro dia de aplicação do Enem, a
expectativa é que o exame tenha menos textos longos e que os enunciados sejam
mais objetivos.
“Não é o momento de querer
aprender conteúdos novos, de tirar o atraso, porque isso pode gerar tensão e
cansaço desnecessários nesta reta final. Importante revisar e focar nos
conteúdos que mais caíram nas provas”, diz o gerente executivo de Avaliações e
Conteúdo Digital do SAS e professor de química, Caê Lavor. Na página do
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)
estão disponíveis as provas e os gabaritos dos anos anteriores do Enem.
A expectativa de Lavor é que
o Enem mantenha o padrão dos conteúdos das últimas edições. “Será uma prova que
repete os padrões do Enem. Tanto no conteúdo quanto na abordagem de problemas e
conteúdos que são relevantes para o dia a dia dos alunos, que são relevantes
para o cotidiano. O Enem cobra problemas e situações práticas, conteúdos que
têm aplicação no dia a dia, conteúdos muito técnicos não costumam ser
cobrados”.
Razão, proporção,
porcentagem, regra de três são, segundo os professores, conteúdos
recorrentemente cobrados na prova de matemática. Em biologia, o conteúdo
destacado é ecologia; em física, mecânica, que envolve aceleração, velocidade e
troca de energia; e, em química, físico-química, que engloba cálculo químico e
aplicações práticas das reações químicas.
Na
hora da prova
Segundo o professor e
coordenador de matemática do sistema COC by Pearson, Luiz Fernando Duarte, o
estudante deve começar pelas questões com as quais tem mais afinidade. “Deve
começar pela situação em que se sente mais forte, com o que tiver mais
facilidade, para começar com mais confiança. Deve ser aí o ponto de partida”,
diz.
“Em uma leitura
cuidadosa é possível identificar as questões que podem ser resolvidas mais
rapidamente. Isso significa fazer um bom número de questões e ter mais tempo
para fazer questões com exigência maior”, orienta. Segundo Duarte, um tempo
médio para a resolução das questões é de três minutos para cada. Uma técnica
recomendada é que os candidatos leiam com atenção os enunciados, que grifem as
partes mais importantes, que podem ajudar na resolução.
Ao todo, os estudantes terão
cinco horas para resolver 90 questões. “Tivemos o caso de um aluno, ainda que
ele estava fazendo a prova apenas como treineiro, que passou cerca de 30
minutos em uma questão e não conseguiu concluir a prova. Deixou de resolver
questões elementares que só de passar o olho conseguiria resolver”, conta o
professor de matemática do Centro de Educação de Tempo Integral (CETI)
Augustinho Brandão, de Cocal dos Alves (PI), Raimundo Alves de Brito. “O
estudante tem que saber identificar aquelas questões que certamente consegue
resolver”, acrescenta.
Respirar
Em um ano atípico como o ano
letivo de 2020, com a suspensão das aulas presenciais por causa da pandemia do
novo coronavírus e, agora, com a realização do exame com uma série de medidas de biossegurança, os estudantes enfrentam uma
ansiedade ainda maior. “A gente nem sabe como pedir, está todo mundo muito
agitado, mas eu pediria calma. A prova está difícil para todo mundo, a situação
é essa para todo mundo. É preciso calma e concentração para fazer a prova”,
recomenda Brito.
Ele conta que enfrentou uma
série de dificuldades ao longo do ano, com internet escassa no município, por
vezes, estudantes não conseguiam sequer acessar um vídeo de três minutos. “Foi
muito difícil, foi um ano horrível. A gente conseguiu mais ou menos cumprir a
carga horária, mas as aulas ficam muito deficitárias. Estamos esgotados. A
gente consegue sentir que não funcionou como a gente queria”, diz o
professor.
Lavor concorda. “É um
momento de manter a calma. Sei que é difícil. Muitas vezes, o estudo
desenfreado e a busca de conhecimento agora criam tensão. Estudar poucas
coisas, manter a calma e pensar que este momento vai ser importante para que
sejam definidos os próximos passos, a universidade, mas este momento não define
quem a gente é”, diz.
Ele chama a atenção para
algo fundamental: a respiração. Uma dica é toda vez que o estudante se perceber
nervoso, notar a respiração acelerada, parar e apenas respirar, até que ela
desacelere. “Identificar a respiração pode ajudar a ter mais atenção plena. A
estar presente no momento. Escutar o barulho da respiração por dez
segundos”.
Enem
2020
O Enem começou a ser
aplicado no último domingo (17) e segue no próximo (24). No primeiro dia de
aplicação, o exame teve abstenção recorde de 51,5%. Do total de 5.523.029
inscritos para a versão impressa do Enem, 2.842.332 faltaram às provas. Nesta
edição, o Enem terá uma versão impressa e uma digital, realizada de forma piloto para 96 mil candidatos,
nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro.
As medidas de segurança
adotadas em relação à pandemia do novo coronavírus serão as mesmas tanto no
Enem impresso quanto no digital. Haverá, por exemplo, um número reduzido de
estudantes por sala, para garantir o distanciamento entre os participantes.
Durante todo o tempo de realização da prova, os candidatos estarão obrigados a
usar máscaras de proteção da forma correta, tapando o nariz e a boca, sob pena
de serem eliminados do exame. Além disso, o álcool em gel estará disponível em
todos os locais de aplicação.
Os candidatos que
tiverem sintomas de covid-19 e de outras doenças
infectocontagiosas não devem comparecer aos locais de prova. Devem comunicar ao
Inep pela Página do Participante. Esses candidatos terão direito à reaplicação,
nos dias 23 e 24 de fevereiro.

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