Governo da Bahia lança protocolo que padroniza investigação de feminicídio no estado
Repórter: Raul Rodrigues/GOVBA
Foto: Camila Souza/GOVBA
Os processos de investigação e judicial do feminicídio estão sendo
aprimorados pelo Governo do Estado. O Protocolo de Feminicídio, documento que
vai apresentar orientações, diretrizes e linhas de atuação para o
aprimoramento, foi assinado nesta quinta-feira (10), quando se comemora o Dia
Internacional dos Direitos Humanos, no auditório da Secretaria de Desenvolvimento
Econômico (SDE), no CAB.
As Diretrizes Nacionais do Feminicídio, publicadas em abril de 2016,
serviram como base para a formulação e aplicação dos Protocolos de Feminicídio
por estados-piloto – Maranhão, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio de Janeiro, Santa
Catarina e Distrito Federal. Também aderiram ao projeto os estados de São
Paulo, Pernambuco, Paraíba e agora a Bahia.
O ato de assinatura do documento contou com a participação do
vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, João Leão; da secretária
de Políticas para as Mulheres, Julieta Palmeira; do secretário da Segurança
Pública, Maurício Barbosa; e de representantes de instituições que integraram o
grupo de trabalho (GTI) responsável pela elaboração do Protocolo. São exemplos
a Procuradoria Geral do Estado (PGE), Defensoria Pública (DPE), Tribunal de
Justiça (TJ), Ministério Público (MP), além de secretarias de Estado e
representações da sociedade civil como a Ordem dos Advogados do Brasil, secção
Bahia (OAB-Bahia).
Para Julieta Palmeira, este é um dia importante para as mulheres e para
a sociedade. “É uma conquista do Governo da Bahia e também dos órgãos do
Estado, como o Ministério Público, o Tribunal de Justiça, a Defensoria Pública,
porque representa a assinatura do protocolo para prevenir, investigar e julgar
o feminicídio na Bahia. Por sinal, hoje é um dia em que aconteceu mais um caso
de feminicídio aqui em Salvador. Então, é superimportante essa conquista”.
Palmeira explicou que “o protocolo é a unificação de ações e
procedimentos que visam dar celeridade e eficácia para a investigação do
feminicídio e o julgamento dele. Isso representa uma conquista e, sem dúvida
nenhuma, um avanço na proteção mais efetiva das mulheres”.
Segundo a
secretária, o governador Rui Costa está decidido a enfrentar o feminicídio, que
ela classifica como um grave problema que existe na Bahia. “Nós estamos acima
da média nacional no índice, acima da média nacional no feminicídio. Estamos,
então, fazendo o nosso dever de casa enquanto o governo, e aliados e unificados
com os outros órgãos do Estado”.
Redução
de outros índices
O secretário
da SSP afirmou que a Bahia vem apresentando a redução de todos os índices de
violência contra mulher, com exceção do feminicídio, que este ano apresentou
seis casos a mais. “Para isso, nós ampliamos a forma de defesa e proteção às
mulheres, permitindo que a delegacia digital registrasse as ocorrências de
violência contra mulher. E, também através da delegacia digital, existe a
possibilidade de requerer ao delegado de Polícia a medida protetiva que as
mulheres precisam para ficar longe dos seus agressores”, disse Barbosa.
O
vice-governador João Leão aprovou a iniciativa. “Esse protocolo de intenções
que nós assinamos aqui é uma maneira de proteger as mulheres da Bahia e
demonstrar que não vale a pena ter agressões. Nós estamos aqui tomando as
providências cabíveis para que esses casos não venham a acontecer”, afirmou.
Denúncia
Para fazer a
denúncia, as mulheres podem ir presencialmente a alguma das delegacias de
Proteção à Mulher. “Se for um caso iminente, que está acontecendo, ligar para
190, e se ela já tem a medida protetiva, entrar em contato também através da
Defensoria, do Ministério, da própria Polícia Militar, para que ela seja
incluída no programa de atendimento, de visita da Ronda Maria da Penha”,
informou o secretário da Segurança Pública.
A delegacia
digital é uma opção se a mulher não quiser ou não tiver condições de ir
presencialmente às unidades, podendo registrar a ocorrência e também requerer à
autoridade policial algum tipo de medida protetiva contra o agressor.
Modelo
latino-americano
O Protocolo de
Feminicídio tem como base o modelo latino-americano para investigação das
mortes violentas de mulheres por razões de gênero (femicídio/feminicídio),
elaborado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos
(ACNUDH), em colaboração com a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de
Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), por meio do Escritório
Regional para América Latina e Caribe.
O Grupo de
Trabalho Interinstitucional (GTI) para a criação do Protocolo na Bahia foi
oficializado pelo governador Rui Costa em dezembro de 2019. Por mais de um ano,
o GTI promoveu reuniões e debates sob a coordenação da Secretaria de Políticas
para as Mulheres (SPM-BA) com a participação de representantes de diversos
órgãos.
Histórico
As Diretrizes Nacionais buscam o aprimoramento da investigação
policial, do processo judicial e do julgamento das mortes violentas de mulheres
de modo a evidenciar as razões de gênero como causas dessas mortes. O objetivo
é reconhecer que, em contextos e circunstâncias particulares, as desigualdades,
estruturantes das relações de gênero, contribuem para aumentar a
vulnerabilidade e o risco que resultam nessas mortes e, a partir disso,
aprimorar a resposta do Estado, em conformidade com as obrigações nacionais e
internacionais assumidas pelo governo brasileiro.
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