Fonte:
Kelly Oliveira/Agência Brasil
Foto:
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Conselho Curador do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou hoje (8), em reunião
extraordinária, redução de juros no crédito imobiliário popular no Norte e
Nordeste. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, que apresentou o
voto no conselho, o objetivo é promover o acesso de mais famílias ao
financiamento habitacional nessas duas regiões, que têm, historicamente, baixos
índices de contratação de financiamento habitacional.![]()
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Nos últimos cinco anos, dos
recursos disponibilizados para o Nordeste, 23% não foram utilizados por falta
de demanda. No caso do Norte, o percentual chega a 78%.
Segundo o ministério, as
mudanças na sistemática de financiamentos na área de habitação popular vão
possibilitar que o FGTS tenha mais recursos disponíveis para novas
contratações. Haverá redução da parcela de spread bancário (diferença
entre o valor pago pelo banco aos correntistas e o cobrado nas operações de
crédito) pago pelo fundo aos agentes financeiros operadores do programa.
Conforme o novo desenho, uma
parcela maior da remuneração dos agentes financeiros passa a ser assumida pelos
mutuários, que, por outro lado, serão beneficiados por juros finais mais baixos
ao longo do contrato.
As regiões Norte e Nordeste
serão contempladas com a redução de juros em até 0,5 ponto percentual para
famílias com renda até R$ 2 mil mensais. Os juros poderão chegar a 4,25% ao ano
para cotistas do FGTS e, nas demais, a 4,5%, ofertando a menor taxa de juros na
história num programa habitacional. Com isso, as famílias terão uma menor
prestação mensal na aquisição de novos imóveis pelo programa, explicou o
ministério.
Parcelas
suspensas
O Conselho Curador do FGTS
também aprovou uma medida destinada às instituições financeiras responsáveis
pelas operações de crédito do setor de habitação popular. O conselho suspendeu,
por até seis meses, o pagamento dos financiamentos contratados por meio dos
programas Carta de Crédito Individual, Apoio à Produção de Habitações
e Carta de Crédito Associativo. A proposta também foi apresentada pelo
Ministério do Desenvolvimento Regional, que atendeu pedido de bancos e
financeiras.
As operações de crédito foram
realizadas com recursos do FGTS. Segundo o ministério, pleitos similares já
foram atendidos em maio e junho deste ano, em razão de demandas dos setores de
saneamento básico e mobilidade urbana, devido a pandemia de covid-19.
A expectativa é gerar, durante
o período de suspensão, um alívio para os agentes financeiros de até R$ 3
bilhões, contemplando os contratos de financiamento vigentes dos mutuários de
pessoa física. De acordo com o ministério, a decisão não gera prejuízos ao
FGTS, já que não significa o cancelamento, mas a postergação das parcelas e a
diluição do débito ao longo do período residual dos contratos. Os pagamentos
serão realizados de forma parcelada, com a atualização financeira devida,
considerando que o início do ressarcimento ao fundo se dará a partir de janeiro
de 2021.

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