Fonte: Ludmila Souza/Agência Brasil
O isolamento social
provocado pela pandemia do novo coronavírus e toda a crise mundial do
momento têm gerado na população ansiedade, medo e incertezas,
que resultam em muitos pensamentos com consequências negativas para a
saúde física e mental, entre elas as alterações do sono.
O arquiteto Evandro Melato tem sentido a alteração no sono há
cerca de duas semanas. Ele conta que antes o sono era bom, embora já tomasse um
remédio para ajudar a dormir. “Tomo medicamento controlado há cinco anos para
dormir, mas com tudo isso tenho ficado muito cansado e mais ofegante, com
ansiedade, às vezes, até confundo com a sensação de que estou com coronavírus,
mas nada mais é do que a minha ansiedade!”, relata.
Ele conta que tem acordado à noite e demorado a ter sono
novamente. “O isolamento e a tensão toda têm me deixado bastante incomodado e
mais ansioso do que sou. E o remédio não está mais fazendo efeito, porque antes
eu tinha a agitação do dia, com afazeres mais intensos, e hoje, com
esse enclausuramento, eu não gasto energia e acho que o remédio não é
suficiente. Antes eu me deitava, dormia e só no outro dia”.
Assim como ele, a empresária Juliana Laviola está com o sono
alterado. “Não sei se é a preocupação com o isolamento ou pós-isolamento, o
fato é que estou dormindo mal, acordando com mil coisas na cabeça, e o sono não
é mais o mesmo desde que começou essa confusão”.
Para ela, além de ficar muito tempo em casa, sem a rotina
normal, há a questão da preocupação com o futuro. “No meu caso, como sou
empresária, penso como vai ficar o meu setor, se vamos permanecer no mercado,
se terei que demitir funcionários, como o governo vai fazer, isso acaba
prejudicando a questão do sono. Tento relaxar, mas tenho acordado três vezes
à noite e ‘atacado’ a geladeira, essa ansiedade tem me rendido essa
insônia e uns quilos a mais”, lamenta.
O assessor de imprensa Walace Nolasco tem tentado manter a
rotina ativo, mesmo assim a insônia o tem atrapalhado. “Comprei uns aparelhos,
tenho feito ginástica em casa, mas realmente tenho tido dificuldade para
dormir. Além de a gente ficar nessa tensão toda, fico realmente sozinho,
moro sozinho. E como não tenho saído à noite mais, a gente fica muito
solitário, o que perturba”.
Para ele, o home office também
influencia o sono. “Estou sendo muito acionado para trabalhar à noite, isso me
deixa muito ativo e sem sono, estou trabalhando muito mais do que antes, em
casa a gente fica naquela obrigação de atender. E olha que eu tomo hormônio do
sono há dez anos, mas estou tendo dificuldade de começar a
dormir. Essa conjuntura está deixando a gente muito aflito, por mais
que eu tente manter uma rotina, não tenho mais o momento de
relaxar”.
A professora do curso de Psicologia da Universidade Cruzeiro do
Sul, Ksdy Maiara Moura Sousa, explica que o sono é uma função importante para a
saúde, pois ele permite não só a restauração e recuperação energética do corpo,
mas também, melhora o humor e o aprendizado. “Em situações de estresse e
alteração da rotina, passamos a ter hábitos que mudam nosso
comportamento em relação ao sono, muitas vezes prejudicando a qualidade dele”,
afirma.
Diante da situação atual, dormir bem é uma estratégia importante
para evitar o adoecimento mental e físico e, pensando nisso, a
especialista desenvolveu uma cartilha psicoeducativa sobre qualidade do sono e
isolamento social que pode ajudar a Juliana, o Evandro, o Walace e tantas
outras pessoas que sofrem com as alterações do sono neste período.
Veja as dicas listadas pela psicóloga que podem ser eficazes na
melhora da qualidade do sono.
- Estabeleça horários para dormir e acordar: a rotina do sono é
fundamental para estabelecer e manter o nosso ritmo biológico. O nosso cérebro
adora previsibilidade e essa rotina beneficia o nosso sistema.
- Evite ficar o dia todo no quarto ou de pijama: levante,
abra a janela do quarto, coloque uma roupa para passar o dia. Isso mostra ao
seu cérebro que o dia começou e faz com que ele se prepare para as atividades
programadas.
- Exponha-se à luz solar e seja ativo durante o dia: o nosso
corpo precisa produzir hormônios que induzam ou que levem ao sono. “Uma maneira
adequada é se expor à luz solar, pois, assim, o corpo entende que o dia foi
feito para estarmos ativos e a noite para descansar”.
- Evite dormir muitas horas durante o dia: visto que nosso
cérebro precisa associar dia com atividade e noite com descanso, se dormirmos
muito durante o dia, a tendência é dormir muito mais tarde à noite. “Isso
pode alterar seu ritmo biológico e levá-lo a desenvolver um quadro de insônia”.
- Use seu quarto e sua cama apenas para dormir: não trabalhe,
leia, se alimente ou estude na cama. Seu cérebro precisa entender que ali é um
local de descanso.
- Diminua o uso de aparelhos eletrônicos duas horas antes de
dormir: a luz dos celulares e das TVs é extremamente estimulante,
impedindo que o cérebro relaxe.
- Evite consumir bebidas estimulantes e alcoólicas perto do
horário de dormir: o consumo de café, chás estimulantes e energéticos podem
prejudicar o início do sono, aumentando as chances de insônia. “O álcool,
apesar de causar sonolência, leva a um sono de pouca qualidade”.
- Faça atividade física durante o dia: praticar exercícios
físicos ajuda na qualidade e consolidação do sono, porém, se possível, evite
fazer atividades intensas à noite.
- Planeje o dia: tenha uma rotina de trabalho e estudo com
local, horários e tarefas a serem realizadas no dia, dessa forma, você não se
sobrecarrega ou passa a noite trabalhando.
- Anote os pensamentos e ideias antes de ir para a cama:
fazer isso evita os pensamentos incontroláveis antes de dormir, diminuindo o
estresse e a ansiedade.
- Medite, respire e relaxe antes de ir para cama: ter um
momento para respirar e meditar auxilia muito a desacelerar a mente,
favorecendo uma boa noite de sono.
- Não espere o sono chegar na cama. “Ir para a cama sem
sono pode aumentar a ansiedade e condicionar a associar o quarto e a hora de
dormir como algo ruim, por isso, é importante praticar atividades relaxantes
antes de dormir”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário