Fonte: Agência Fiocruz
Foto: Bernardo Portela
Nesta semana, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) inicia a
produção de protótipos de kits com insumos para a realização de 30 mil testes
diagnósticos para o novo coronavírus. Diante da identificação dos primeiros
casos no Brasil e da preparação para uma possível disseminação da doença em
território nacional, o Ministério da Saúde (MS) encomendou à Fiocruz o
desenvolvimento e a produção dos kits para diagnóstico laboratorial destinados
a atender a rede de laboratórios públicos de todo o país. Os kits foram desenvolvidos
pelos institutos de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e de
Biologia Molecular do Paraná (IBMP).
“A
Fiocruz vem acompanhando com o Ministério todas as iniciativas dessa
emergência. Estamos trabalhando com foco no diagnóstico, mas também atuaremos
em todas as frentes necessárias no enfrentamento desse novo vírus, seja na
vigilância em saúde, na pesquisa e prospecção de medidas terapêuticas, em
medidas educativas de prevenção e, sobretudo, no fortalecimento do nosso
Sistema Único de Saúde. Também reafirmamos nosso compromisso com a informação
qualificada junto ao cidadão”, explica a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade
Lima.
Segundo
orientação do MS, a Fiocruz também terá atuação no processo de descentralização
e expansão da capacidade laboratorial para realização dos testes moleculares
para detecção do novo coronavírus, o que inclui não apenas o desenvolvimento e
a produção, mas também a capacitação de laboratórios públicos presentes em
diversos estados (Lacens) para a sua realização. A atividade será conduzida
pelo Laboratório de Vírus Respiratório e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz
(IOC/Fiocruz).
Referência
nacional em vírus respiratórios junto ao MS, o Laboratório já realizou a
capacitação de especialistas dos Institutos Adolfo Lutz, em São Paulo, e
Evandro Chagas, no Pará, além de técnicos do Laboratório Central de Saúde
Pública de Goiás e de nove países da América Latina, a partir de solicitação da
Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Atualmente, na rede pública nacional,
somente estes laboratórios, além da Fiocruz, realizam os testes específicos
para o novo coronavírus.
“É
importante dizer que a Fiocruz entregará não apenas kits para detecção do novo
coronavírus, mas também para os vírus de influenza A e B. Ou seja, além de
expandirmos a capacidade de diagnóstico para várias partes do país, vamos
agilizar ainda mais o tempo de resposta ao paciente, uma vez que os
laboratórios poderão testar Influenza e o novo coronavírus, fazendo um
diagnóstico diferencial”, comenta o vice-presidente de Produção e Inovação em
Saúde da Fiocruz, Marco Krieger.
A
Fiocruz tem capacidade de produzir cerca de 20 mil testes
semanais e o ritmo de produção seguirá conforme a demanda do Ministério da
Saúde. O secretário de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde,
Wanderson Kleber de Oliveira, afirmou em entrevista coletiva na tarde da
segunda-feira (2/3), a expectativa é de que, ao longo das próximas duas
semanas, estados das regiões Norte (Amazonas, Pará e Roraima), Nordeste (Bahia,
Ceará, Pernambuco e Sergipe), Sudeste (Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas
Gerais), Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal) e Sul (Paraná,
Santa Catarina e Rio Grande do Sul) sejam capacitadas e que, em 20 dias, todos
os laboratórios centrais estejam aptos a realizar os testes para diagnóstico do
novo coronavírus.
“Com
mais essa rodada de capacitações, a expectativa é de que profissionais de todas
as regiões do país estejam aptos a realizar o diagnóstico deste novo vírus, o
que representa maior agilidade na detecção de possíveis novos casos”, explica e
chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do IOC/Fiocruz, Marilda
Siqueira.
Em
2020 a Fiocruz completa 120 anos. A entrega do teste Covid-19 em tempo
recorde é fruto de competências instaladas e compromisso institucional com a
saúde e a inovação.
“O
kit nacional reforça e qualifica a capacidade já demonstrada pelo Ministério e
pelo SUS na resposta à emergência global. São ações estratégicas de Estado”,
conclui o diretor de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Maurício Zuma.

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