Fonte:
Ana Lúcia Caldas/Agência Brasil
Foto: Divulgação/CAPS
Estamos
no Setembro Amarelo, uma campanha de conscientização sobre a prevenção do
suicídio realizada no Brasil desde 2015, criada pelo Conselho Federal de
Medicina, Associação Brasileira de Psiquiatria,e CVV - Centro de Valorização da
Vida.
A
ideia é associar a cor amarela ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do
Suicídio, lembrado nesta terça-feira,10 de setembro.
Carla
Hidalgo tem 26 anos e já tentou suicídio na adolescência por causa de um
fracasso escolar. ''Eu acho que falar sobre o suicídio, falar sobre a
depressão, trazer casos, ajudam muito. Eu acho que ajuda muito as pessoas a
ficarem mais abertas a pedir ajuda e é isso que a gente precisa realmente,
fazer as pessoas pedirem ajuda."
Dados
da Organização Mundial da Saúde revelam que a cada 40 segundos, uma pessoa se
mata no mundo.Por ano, quase 800 mil pessoas cometem suicídio. Aqui no
Brasil, são 32 casos por dia.
Para
Alexandrina Meleiro, da Associação Brasileira de Psiquiatria, o Setembro
Amarelo é fundamental. "Um mês onde alertamos com mais ênfase sobre a
questão da prevenção do suicídio. É um problema de saúde pública. Outros países
já reduziram os números, mas o Brasil ainda não conseguiu esse este objetivo
que se propôs em 2006 diante da Organização Mundial de Saúde"
No
Brasil, em 2006, o Ministério da Saúde apresentou a Estratégia Nacional para
Prevenção do Suicídio. A maioria dos casos está associada a distúrbios mentais
e transtornos de humor.
Alexandrina
Meleiro fala de alguns dos motivos que levam as pessoas a não pedirem ajuda e a
pensarem em tirar a própria vida. "O estigma , o preconceito, o medo, o
não ser compreendido faz com que as pessoas acabem sofrendo em silêncio. Grande
parte com quadro depressivo, outra parte com dependência ao álcool e outras
drogas com transtornos, às vezes com transtorno de esquizofrenia personalidade,
doenças crônicas, diante de um desemprego, desenlace amoroso, o problema na
orientação sexual, tudo isso leva a pessoa a ter pensamentos de não querer
viver. "
Segundo
a psiquiatra, nos jovens ainda existem os casos de automutilação como forma de
amenizar a dor. Nove em cada dez casos de suicídio podem ser evitados.
Para
Leila Herédia, do CVV, não adianta fingir que o problema não existe. " Ele
existe e as pessoas precisam de ajuda. Não é da nossa natureza pensar em se
matar. Tanto que a OMS mostra que 90% dos casos são preveníveis, ou seja, em
cada dez casos, nove podem ser evitados. O que é necessário é que as pessoas
busquem ajuda por que na verdade ela não quer se matar. Ela quer se livrar
desse sofrimento."
Perda
de interesse pelas coisas que gosta, isolamento, descuido com aparência, piora
do desempenho escolar ou no trabalho, alterações no sono e no apetite, e até
frases como “preferia estar morto” podem ser sinais de alerta.
Esteja atento. Esteja atento também às redes sociais.
E
para quem está em um momento difícil Carla, que já passou por isso e
sobreviveu, tem um recado. ''Pode ser sofrido, pode ser um monte de
coisa, mas são momentos e momentos passam. É só aguentar firme, levantar a mão,
falar ''eu preciso de ajuda nisso aqui. Não tô conseguindo resolver isso
aqui". Aquilo ali vai passar, independente do que for, passa e vai ficar
tudo bem depois. "
Você
pode buscar ajuda nos Centros de Atenção Psicossocial e Unidades Básicas de
Saúde, Hospitais e no Centro de Valorização da Vida – 188 ou internet. Algumas
universidades oferecem tratamento psicológico de graça.
E
para saber mais acesse o site setembroamarelo.org.br.

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