Fonte:
Wellton Máximo/Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Depois quase
dez horas de votações, o Plenário da Câmara concluiu a votação da reforma da
Previdência em segundo turno. Os deputados rejeitaram os oito destaques
apresentados e mantiveram sem alterações o texto principal aprovado hoje (7) de madrugada pela
Casa .
Ao
encerrar a sessão, que começou às 9h, mas só teve a ordem do dia aberta por
volta das 12h30, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), agradeceu o
apoio de todos os partidos na construção e na aprovação da reforma. “Ninguém
chega a um resultado desses sozinho”, disse. Ele recebeu os cumprimentos dos
ministros da Economia, Paulo Guedes, que apareceu no Plenário nos instantes
finais de votação, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que deixou o ministério
para participar das votações como deputado.
Como
o texto do primeiro turno foi mantido na votação em segundo turno, não há
necessidade de que a proposta seja novamente aprovada em comissão especial.
Dessa forma, a matéria está pronta para ser encaminhada para o Senado, onde
passará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa e também
precisará ser aprovada em dois turnos de votação em plenário. O texto deixa a
Câmara quase seis meses depois de ser enviado pelo governo.
Os
dois destaques que faltavam ser votados foram rejeitados nesta noite. Por 339
votos a 153, o Plenário derrubou destaque do PSB que pretendia retirar o
aumento gradual ao longo de 15 anos na pontuação (soma de tempo de contribuição
e idade) para a aposentadoria de trabalhadores de atividades sujeitas à
exposição a agentes nocivos químicos, físicos e biológicos prejudiciais à
saúde.
A
reforma estabelece pontuação mínima de 66 pontos e 15 anos de efetiva exposição
a agentes nocivos, 76 pontos e 20 anos de exposição ou 86 pontos e 25 anos de
efetiva exposição para que esses trabalhadores conquistem direito à
aposentadoria. A partir de 2020, essas pontuações seriam acrescidas de 1 ponto
por ano para homens e mulheres, até atingirem, respectivamente 81 pontos, 91
pontos e 96 pontos para ambos os sexos em 2035. O destaque do PSB buscava
eliminar a elevação automática da pontuação.
O
último destaque rejeitado, de autoria do PT, buscava eliminar as alterações na
fórmula de cálculo da aposentadoria proposta pela reforma. Por 352 a 135 votos,
o destaque foi derrubado às 22h01 pelo Plenário. Segundo o governo, a aprovação
do destaque desidrataria a reforma da Previdência em R$ 186,9 bilhões – R$ 15,8
bilhões para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e R$ 171,1 bilhões
para a Previdência dos servidores públicos federais.
Outros destaques derrubados
De
autoria do PT, o primeiro destaque rejeitado permitiria que recolhimentos do
trabalhador abaixo do valor mínimo exigido para determinada categoria conte
como mês de efetiva contribuição. O relator da reforma na comissão especial,
deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), alegou que a retirada desse ponto da reforma
prejudicaria os trabalhadores intermitentes.
Apresentado pelo PCdoB, o
segundo destaque rejeitado manteve as mudanças no cálculo de pensões por morte ,
permitindo o pagamento de pensões inferiores a um salário mínimo caso o
segurado tenha outras fontes formais de renda. O terceiro destaque rejeitado,
do PT, queria retirar a fixação, na Constituição, de critérios de renda para o pagamento do Benefício de Prestação
Continuada (BPC).
O quarto destaque
rejeitado, do PSOL, retiraria da reforma a restrição ao abono salarial aprovada
em dois turnos. O benefício agora será pago apenas para quem ganha até R$
1.364,43 por mês, considerado pelo governo como limite para famílias de baixa
renda, gerando economia de R$ 76,4 bilhões em dez anos.
O quinto e o sexto destaque
rejeitados pretendiam alterar a regra de transição. Os deputados derrubaram
proposta do Partido Novo para manter as idades mínimas
especiais de aposentadorias para professores – 60 anos para
homens e 57 para mulheres – e eliminar toda a regra de transição que
estabelecia pedágio de 100% para os trabalhadores atuais. Em seguida, os
parlamentares derrubaram destaque do PDT que pretendia eliminar o pedágio de 100%,
para instituir pedágio de 50% por meio de uma proposta de emenda à Constituição
(PEC) paralela.

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