Texto: Leonardo Martins/GOVBA
A
Bahiafarma é o primeiro laboratório público do país a poder produzir e
comercializar testes-rápidos de diagnóstico da dengue, zika vírus e febre
chikungunya, transmitidas pelo mosquito aedes aegypti. A licença para a
produção e distribuição dos dispositivos que detectam a dengue - a única que
faltava - foi concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
e publicada no Diário Oficial da União da última segunda-feira (6).
Embora
ainda não tenha iniciado a produção do dispositivo, a Bahiafarma tem capacidade
de produzir cerca de 500 mil testes-rápidos ao mês. Eles podem acabar com as
dúvidas do cidadão em relação ao próprio quadro de saúde e, consequentemente,
possibilitar tratamento imediato para quem tiver constatada a infecção pela doença.
Somente em 2016, 65.831 casos prováveis de dengue foram notificados na Bahia,
representando uma incidência de 433 casos a cada 100 mil habitantes.
"Nós
trabalhamos no desenvolvimento de produtos ligados aos testes-rápidos. No
primeiro momento, [com foco nas doenças] arboviroses. Analiso que fomos
bem-sucedidos, porque conseguimos os registros do zika, chikungunya e vamos
poder fazer também os testes da dengue. Agora somos um laboratório que tem o
portfólio completo. Isso formata a possibilidade de termos a Bahiafarma como
polo indutor do desenvolvimento neste eixo econômico do estado", ressalta
o diretor-presidente da Bahiafarma, Ronaldo Dias.
Os
registros obtidos pelo laboratório baiano são referentes a dois tipos de testes
rápidos para diagnóstico da dengue. Um deles detecta anticorpos produzidos por
organismos infectados, o Dengue IgG / IgM, e o outro reage com o antígeno NS1,
o Dengue NS1. Desenvolvidos em parceria com o laboratório sul-coreano GenBody,
os dispositivos funcionam com uma pequena quantidade tanto de sangue quanto de
soro ou plasma sanguíneo e fornecem os resultados em até 20 minutos.
“Os
procedimentos são simples, mas devem ser realizados apenas por profissionais de
saúde. A gente abre o teste, adiciona cinco mililitros de soro de sangue no
poço menor do dispositivo e adiciona três gotas da solução tampão no poço
maior, para que as substâncias se misturem. O resultado é observado através das
linhas que aparecem no teste. Por elas, é possível saber se a pessoa tem ou
teve dengue”, explica Paloma Orrico, enfermeira da Bahiafarma.
Foto: Camila Souza/GOVBA
Precisão no diagnóstico
O Dengue IgG / IgM consegue realizar o diagnóstico a partir do quinto
dia de infecção, por meio da análise da presença da imunoglobulina M (IgM) no
organismo do paciente – que indica que a infecção está ativa – e também é capaz
de identificar se o paciente já teve contato com o vírus da dengue no passado,
por meio da pesquisa pela presença da imunoglobulina G (IgG).
“Isso vai ser ótimo, principalmente para quem tem filhos. Hoje eu não
cuido só de mim, pois tenho um filho de um mês de nascido. Ter o diagnóstico
cedo de uma doença permite o tratamento adequado e isso é fundamental para a
saúde”, afirma a universitária Marcela Oliveira.
Com atuação destacada no setor e gestão inovadora, a Bahiafarma
ingressou no rol dos principais laboratórios oficiais do Brasil. A instituição
tem dado continuidade à estratégia do Governo do Estado de transformar-se em um
centro indutor para a consolidação de um polo industrial farmacêutico e
biotecnológico na Bahia, iniciado em 2015.

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