Texto: Luana Lourenço/Agência
Brasil
Foto: Roberto
Stuckert Filho
A presidenta Dilma Rousseff
lembrou hoje (31) os 50 anos do golpe militar que deu início à ditadura no
Brasil, em 1964, e disse que as atrocidades cometidas no período não podem ser
esquecidas, em memória dos homens e mulheres que foram mortos ou desapareceram
enquanto lutavam pela democracia.
“O dia de hoje exige que
lembremos e contemos o que aconteceu. Devemos aos que morreram e desaparecerem,
devemos aos torturados e aos perseguidos, devemos às suas famílias. Devemos a
todos os brasileiros”, disse a presidenta em discurso no Palácio do Planalto,
durante a assinatura de contrato para construção da segunda ponte sobre o Rio
Guaíba.
“Toda dor humana pode ser
suportada se sobre ela puder ser contada uma história. A dor que nós sofremos,
as cicatrizes visíveis e invisíveis que ficaram nesses anos podem ser
suportadas e superadas porque hoje temos uma democracia sólida e podemos contar
nossa história”, disse a presidenta, ao citar a filósofa alemã Hannah Arendt.
Dilma disse que lembrar e
contar o que aconteceu às novas gerações é parte do processo iniciado pelos
brasileiros que lutaram pelas liberdades democráticas, pela Anistia, pela
Constituinte, por eleições diretas e, mais recentemente, pela criação da
Comissão Nacional da Verdade.
“Cinquenta anos atrás, na
noite de hoje, o Brasil deixou de ser país de instituições ativas,
independentes e democráticas. Por 21 anos, mais de duas décadas, nossas
instituições, nossa liberdade, nossos sonhos, foram calados”, lembrou. “Hoje
podemos olhar para esse período e aprender com ele, porque o ultrapassamos. O
esforço de cada um de nós, de todas as lideranças do passado, daqueles que
viveram e daqueles que morreram fizeram com que nós ultrapassássemos essa
época”, acrescentou.
Com a luta pela
redemocratização, segundo Dilma, os brasileiros aprenderam a valorizar a
liberdade de expressão, a independência dos poderes legislativo e judiciário e
o direito ao voto. “Aprendemos o valor de eleger por voto direto e secreto, de
todos os brasileiros, governadores, prefeitos. De eleger, por exemplo, um
ex-exilado, um líder sindical que foi preso várias vezes e uma mulher que
também foi prisioneira”, disse.
Segundo Dilma, a restauração
da democracia brasileira foi um processo construído pelos governos eleitos após
a ditadura e resultado da luta dos que morreram enquanto enfrentavam “a
truculência ilegal” do Estado, com os que trabalharam por pactos e acordos
nacionais, como os que levaram à Constituição de 1988.
Ainda durante o discurso, a
presidenta citou frase dita por ela durante a instalação da Comissão Nacional
da Verdade, em 2012. “Como eu disse aqui nesse palácio quando instalamos a
Comissão da Verdade: se existem filhos sem pais, se existem pais sem túmulos,
se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca, mas nunca mesmo pode existir uma
história sem voz. E quem dá voz são os homens e mulheres livres que não tem
medo de escrevê-la”.

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