Informações: AFP/ La Paz
Foto:terramagazine.terra.com.br
A relação entre o
funcionamento de duas usinas hidrelétricas brasileiras e as inundações atuais
na Amazônia boliviana será tratada pelos chanceleres de Bolívia e Brasil em um
encontro em abril em La Paz, informou o governo de Evo Morales.
"Há uma visita oficial
do chanceler do Brasil (Luiz Alberto Figueiredo) para o dia 7 de abril. Vamos
abordar esse tema, entre outros", informou o ministro boliviano das
Relações Exteriores, David Choquehuanca, referindo-se ao efeito causado pelas
represas Jirau e Santo Antônio, que estão em construção.
Os dois chanceleres também
tratarão de temas econômicos, comerciais e relacionados com os hidrocarbonetos,
acrescentou a Chancelaria.
Choquehuanca informou que,
na semana passada, funcionários de seu gabinete viajaram para o Brasil para se
reunir com autoridades e discutir critérios sobre o impacto do aumento do nível
das águas.
"Estabelecemos que uma
comissão binacional trabalhe em algumas preocupações que surgiram em consequência
das inundações que nossos irmãos sofreram no leste (Amazônia) boliviano. Um dos
fatores pode ser essa construção das represas", acrescentou.
A chegada de Figueiredo
acontece pouco depois que a ONG privada Lidema declarou em um documento
público, na semana passada, que as inundações no departamento amazônico de
Beni, no nordeste da Bolívia, estariam relacionadas às duas usinas.
"Várias organizações
alertaram, desde 2007, sobre os riscos da forte alteração hidrológica da bacia
do rio Madeira, a partir da construção das megarrepresas Jirau e Santo Antônio
no Brasil. Santo Antônio se encontra a cerca de 180 quilômetros da fronteira
com a Bolívia (muito perto da cidade brasileira de Porto Velho), e Jirau, a 85
quilômetros do território boliviano", declarou Lidema.
A maioria dos afluentes
bolivianos, que cruzam os departamentos de Santa Cruz (leste), Beni (nordeste)
e Pando (norte), desemboca no rio Madeira e, depois, no Amazonas.
O departamento amazônico de
Beni é o mais atingido pelas inundações. Nesse local, pelo menos 100 mil
cabeças de gado morreram, segundo a Federação de Pecuaristas de Beni e Pando.
Os temporais, que começaram
em setembro passado e devem ir até meados de março, de acordo com o Serviço
Meteorológico local, deixaram 60 mortos e mais de 60 mil famílias desabrigadas
em todo o país.

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