Texto: Felipe Néri- G1
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou
nesta quarta-feira (5) que a médica cubana que está abrigada no gabinete da
liderança do DEM na Câmara dos Deputados poderá perder o visto de permanência
no país e a licença para atuar como médica no Brasil caso abandone o programa
Mais Médicos.
A médica Ramona Matos Rodriguez, que veio ao Brasil para
participar do programa do governo federal, deixou cidade de Parajá (PA), onde
atuava, e veio para Brasília no último sábado. Ela decidiu pedir auxílio do DEM
para ter asilo político no Brasil depois de descobrir que os demais
profissionais estrangeiros recebem R$ 10 mil pelo Mais Médicos. Segundo Ramona,
os cubanos recebem US$ 400 (cerca de R$ 965).
O ministro Cardozo afirmou, após reunião com
representantes do DEM, que a médica ainda está em situação completamente
regular no país, graças à participação dela no programa. “Os médicos cubanos
hoje no Brasil pelo Mais Médicos tem seu visto de permanência e licença para
exercer medicina vinculado a esse programa. Se alguém deixa o programa,
obviamente perde essa licença e também perde seu visto de permanência”, disse
Cardozo.
A liderança do DEM na Câmara se reuniu com Cardozo no início da tarde para solicitar que o governo brasileiro conceda refúgio à médica. Inicialmente, a intenção era solicitar asilo político, que depende de aval da Presidência da República e não altera a situação de possível irregularidade do solicitante no país até que a concessão seja definida.
Com o pedido de refúgio, a permanência do estrangeiro no
país torna-se temporariamente regular até que o Comitê Nacional para os
Refugiado (Conare) – órgão vinculado ao Ministério da Justiça - julgue a
concessão definitiva do refúgio. O DEM informou que o pedido deve ser
protocolado ainda nesta tarde. O Ministério da Justiça não tem previsão de
quando a solicitação pode ser julgada pelo Conare.
O DEM também solicitou ao ministro que sejam dados
esclarecimentos sobre a alegação de Ramona de que ela estaria sendo procurada
pela Polícia Federal na casa onde morava no Pará e de que teria tido ligações
telefônicas rastreadas. Cardozo afirmou que a PF não procura Ramona.
“Não existe a menor possibilidade legal de que
isso tivesse ocorrido. A Polícia Federal não a está procurando, não a
está investigando e não existe nenhuma interceptação legal de telefone. Isso,
ainda que se algum policial o fez, foi em total situação de irregularidade”,
disse. “Neste momento não há porque buscar algum abrigo ou uma situação
qualquer de resguardo a esta pessoa. Ela não está sendo buscada pela Polícia
Federal”, completou.
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